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Fortaleza

tumulto e terror

Arrastão paralisa o Centro

Terror, pânico, correria e uma morte. Um arrastão mudou a rotina ontem à tarde no Centro de Fortaleza. O medo tomou conta de clientes e funcionários das lojas, que, por segurança, optaram por fechar as portas mais cedo. Pelas ruas, as pessoas apreensivas buscavam os policiais para saber por onde poderiam seguir com segurança para apanhar ônibus ou táxis. Mas para o superintendente da Polícia Civil, Luís Carlos Dantas, à primeira vista, a história pareceu mais algo que foi orquestrado com o objetivo de criar a situação de caos

Rosa Sá
da Redação

22 Dez 2007 - 22h11min

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A notícia do arrastão fechou lojas, causou tumulto e despero no Centro ontem à tarde. A Polícia tentou controlar a situação (Foto: Sebastião Bisneto)
O sábado de compras de Natal se transformou em um dia de terror no Centro. Por falta das 15 horas, a notícia de um arrastão provocou pânico pelas ruas do bairro. Com a notícia da onda de assaltos, todas as lojas da região fecharam as portas, deixando clientes que estavam fazendo compras temporariamente aprisionados por segurança. Em meio a correria, uma mulher de 52 anos, com problemas cardíacos, morreu no interior da loja Big Jeans da rua General Sampaio, onde buscou abrigo para se proteger. A vítima foi identificada como Lucileide Ferreira Maciel. Funcionários da loja disseram que a mulher já entrou no local passando mal.

Em todas as ruas entre o quadrilátero da Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira, eram vistas cenas de gente correndo para todos os lados. Assustadas, as pessoas choravam apavoradas, e, a todo custo, tentavam apanhar táxi ou ônibus para sair da área. Durante o tumulto, diversas viaturas policiais passaram a circular pelo Centro, buscando localizar os bandidos. Um policial militar, que não quis se identificar, informou que todo o pavor teve início quando cinco homens armados passaram a praticar assaltos na feirinha popular da praça José de Alencar, ponto que aos sábados normalmente já concentra diversos vendedores de confecções e calçados.

Com a proximidade do período de festas, o movimento de ambulantes e clientes estava intenso quando a correria começou. O pânico logo se espalhou pela região do Beco da Poeira e pelas lojas das ruas Guilherme Rocha, Liberato Barroso, galerias Pedro Jorge e Professor Brandão, ruas General Sampaio, Senador Pompeu, Barão do Rio Branco, Major Facundo, Floriano Peixoto e outras próximas, chegando a outras áreas. Alguns funcionários relatavam à imprensa terem ouvido tiros. A notícia do arrastão também se espalhou entre os clientes do Mercado Central e da avenida Monsenhor Tabosa.

A onda de pânico fez com que muitas crianças se perdessem dos pais, causando ainda mais desespero entre os adultos. Desmaios foram situações freqüentes dentro dos comércios. Funcionário de uma loja de calçados, João Roberto Alves, teve que acompanhar uma cliente que chorava nervosamente. Por vários minutos, ele tentou parar um táxi para ela, mas todos que passavam já estavam ocupados e não atendiam o pedido.

Angelo Sombra Silva, do Corpo de Bombeiros, disse que aproveitou a folga para ir com a mulher e a filha fazer compras e se deparou com a situação violenta. Ele afirmou que da loja onde estava, na Praça do Ferreira, viu homens correndo, empurrando violentamente as pessoas e tomando bolsas e carteiras de quem encontravam pelo caminho.

Comerciante do Mercado Central, Sandra Soares disse que tão logo os lojistas do local perceberam a correria das pessoas se aproximando, baixaram as portas, o que teria evitado a invasão dos bandidos, que assim desceram para a avenida Monsenhor Tabosa. Ela diz que era muita gente correndo e não deu para ver se havia alguém armado. Caminhando apressada para chegar ao ponto do ônibus, confessando estar com muito medo, ela comentou que jamais tinha visto coisa igual e que nunca pensou em passar por uma situação semelhante.

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