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HOSPITAL NA PARANGABA

Três pessoas presas por fraudar o SUS

Três pessoas foram presas em um hospital infantil, na Parangaba, por fraudar o SUS. Uma média de 40 crianças teriam sido internadas diariamente sem necessidade ou por prontuários falsos

Nicolau Araújo
da Redação

05 Dez 2007 - 02h03min

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 Ontem, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão no Instituto de Medicina Infantil 
(Foto: MARCUS CAMPOS)
A Polícia Civil deflagrou na tarde de ontem a Operação Paciente Fantasma, que durante quatro meses investigou irregularidades em clínicas e hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), no Estado. Os primeiros mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Criminal, foram cumpridos no Instituto de Medicina Infantil, na Parangaba. Três pessoas foram presas em flagrante e um farto material foi apreendido, como guias de internação e prontuários. Segundo as investigações, uma média de 40 crianças teriam sido internadas diariamente sem necessidade ou por prontuários falsos. De acordo com a Polícia, outros mandados deverão ser cumpridos em outras unidades de saúde, nos próximos dias.

A Operação Paciente Fantasma é coordenada pelos delegados Andrade Júnior (Defraudações e Falsificações - DDF) e Jairo Pequeno (Departamento de Polícia Especializada - DPE). Hoje pela manhã, na Superintendência da Polícia Civil, no Centro, o superintendente Luís Carlos Dantas apresentará alguns números da ação na Parangaba, diante de uma auditoria nas contas do Instituto. A Polícia acredita que a fraude era praticada há mais de dois anos. De acordo com a Controladoria-Geral da União, as fraudes e desvios na aplicação de verbas do SUS, de janeiro de 2003 a julho deste ano, chegam ao montante de R$ 513,2 milhões.

A primeira pessoa a ser presa teria sido a responsável pela triagem das crianças. Franciane de Menezes Rodrigues, 26 anos, disse ao O POVO que há quase dois anos trabalha no Instituto, sem carteira assinada, e que teria sido contratada inicialmente para a função de recepcionista. "Havia uma moça que trabalhava na minha atual função. Ela casou com um italiano e foi embora. Antes de ir embora, ela previu que a coisa estava perto de estourar. Mas não deram atenção. Então me chamaram para ocupar a vaga e foram me ensinando a preencher os formulários", contou.

A funcionária afirmou ainda que sabia que seu trabalho ajudava a fraudar o SUS, mas que teria aceito a nova função para não perder o emprego. "Tenho três filhos para criar e preciso trabalhar. Acabei com a minha vida, por necessidade. Nunca ganhei nada com esse esquema, sequer assinaram a minha carteira ou me pagaram mais por isso. Nunca passei do salário mínimo. Sou uma pessoa boa, nunca fiz mal a ninguém. Agora vou ter que encarar a vergonha de uma prisão. Não sei como meus filhos vão receber essa notícia", ressaltou.

Segundo a Polícia, o diretor do Instituto, Roberto Rebouças, também foi preso. Uma outra pessoa também foi detida, mas não teve a identidade revelada. O POVO apurou que seria uma médica, que não mais trabalharia na empresa. De acordo com o coordenador de Políticas de Saúde da Secretaria Municipal, Alexandre Mont'Alverne, as fraudes aconteceriam porque as auditorias se limitam aos prontuários. Não haveria uma verificação dos pacientes nos leitos.

E-MAIS

Todo veículo que chegava ao Instituto de Medicina Infantil era averiguado por policiais da DDF. Dois mandados de prisão contra médicos ainda teriam que ser cumpridos. A Polícia usou viaturas descaracterizadas, para não chamar a atenção dos envolvidos.

Segundo a Polícia, um prédio pertencente ao Instituto de Medicina Infantil estava sendo reformado na rua Afrânio Peixoto, ao lado da unidade de saúde, que será utilizado para o plano de saúde do Instituto. Os operários ficaram surpresos com o entra-e-sai de policiais.

O maior escândalo com o dinheiro do SUS foi a máfia dos sanguessugas, em maio do ano passado, quando políticos e empresários foram presos por envolvimento na compra superfaturada de ambulâncias com recursos de emendas parlamentares. Os desvios teriam chegado à soma de R$ 39,2 milhões. O atual superintendente da Polícia Federal do Ceará, delegado Aldair da Rocha, foi responsável pelas investigações.

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