Fortaleza
HOSPITAL NA PARANGABA
Três pessoas presas por fraudar o SUS
Três pessoas foram presas em um hospital infantil, na Parangaba, por fraudar o SUS. Uma média de 40 crianças teriam sido internadas diariamente sem necessidade ou por prontuários falsos
Nicolau Araújo
da Redação
05 Dez 2007 - 02h03min
A Operação Paciente Fantasma é coordenada pelos delegados Andrade Júnior (Defraudações e Falsificações - DDF) e Jairo Pequeno (Departamento de Polícia Especializada - DPE). Hoje pela manhã, na Superintendência da Polícia Civil, no Centro, o superintendente Luís Carlos Dantas apresentará alguns números da ação na Parangaba, diante de uma auditoria nas contas do Instituto. A Polícia acredita que a fraude era praticada há mais de dois anos. De acordo com a Controladoria-Geral da União, as fraudes e desvios na aplicação de verbas do SUS, de janeiro de 2003 a julho deste ano, chegam ao montante de R$ 513,2 milhões.
A primeira pessoa a ser presa teria sido a responsável pela triagem das crianças. Franciane de Menezes Rodrigues, 26 anos, disse ao O POVO que há quase dois anos trabalha no Instituto, sem carteira assinada, e que teria sido contratada inicialmente para a função de recepcionista. "Havia uma moça que trabalhava na minha atual função. Ela casou com um italiano e foi embora. Antes de ir embora, ela previu que a coisa estava perto de estourar. Mas não deram atenção. Então me chamaram para ocupar a vaga e foram me ensinando a preencher os formulários", contou.
A funcionária afirmou ainda que sabia que seu trabalho ajudava a fraudar o SUS, mas que teria aceito a nova função para não perder o emprego. "Tenho três filhos para criar e preciso trabalhar. Acabei com a minha vida, por necessidade. Nunca ganhei nada com esse esquema, sequer assinaram a minha carteira ou me pagaram mais por isso. Nunca passei do salário mínimo. Sou uma pessoa boa, nunca fiz mal a ninguém. Agora vou ter que encarar a vergonha de uma prisão. Não sei como meus filhos vão receber essa notícia", ressaltou.
Segundo a Polícia, o diretor do Instituto, Roberto Rebouças, também foi preso. Uma outra pessoa também foi detida, mas não teve a identidade revelada. O POVO apurou que seria uma médica, que não mais trabalharia na empresa. De acordo com o coordenador de Políticas de Saúde da Secretaria Municipal, Alexandre Mont'Alverne, as fraudes aconteceriam porque as auditorias se limitam aos prontuários. Não haveria uma verificação dos pacientes nos leitos.
E-MAIS
Todo veículo que chegava ao Instituto de Medicina Infantil era averiguado por policiais da DDF. Dois mandados de prisão contra médicos ainda teriam que ser cumpridos. A Polícia usou viaturas descaracterizadas, para não chamar a atenção dos envolvidos.
Segundo a Polícia, um prédio pertencente ao Instituto de Medicina Infantil estava sendo reformado na rua Afrânio Peixoto, ao lado da unidade de saúde, que será utilizado para o plano de saúde do Instituto. Os operários ficaram surpresos com o entra-e-sai de policiais.
O maior escândalo com o dinheiro do SUS foi a máfia dos sanguessugas, em maio do ano passado, quando políticos e empresários foram presos por envolvimento na compra superfaturada de ambulâncias com recursos de emendas parlamentares. Os desvios teriam chegado à soma de R$ 39,2 milhões. O atual superintendente da Polícia Federal do Ceará, delegado Aldair da Rocha, foi responsável pelas investigações.
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