Fortaleza
NO CEARÁ
Traficante carioca embarca para o Rio
O gerente-geral da facção criminosa Amigos Dos Amigos foi levado para o Rio, onde responderá por tráfico e assassinato
Marcos Cavalcante
da Redação
23 Out 2007 - 00h21min
O traficante carioca João Rafael da Silva, o Joca da Rocinha, 32 anos, deixou ontem Fortaleza com destino ao Rio de Janeiro. Ele embarcou por volta das 14h40min de ontem em um vôo comercial da Gol. O esquema de escolta de um dos chefões do tráfico no País foi bastante discreto, sem chamar a atenção das pessoas que estavam no Aeroporto Internacional Pinto Martins, apesar de 11 policiais civis realizarem a guarda do gerente-geral da facção criminosa Amigos Dos Amigos (ADA).
De acordo com o delegado Francisco Alves, titular do Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Ceará (DIP), Joca prestou depoimento aos policiais do Rio de Janeiro, que repassaram o material aos cearenses. Segundo o delegado, Joca da Rocinha chegou ao Estado há 70 dias e ficou hospedado em dois flats próximos à avenida Beira Mar, que o O POVO opta por não publicar os nomes. Antes de ser preso, ele teria saído do Ceará, ido para um estado não divulgado pela Polícia e retornado há aproximadamente dez dias.
No depoimento, Joca contou que inicialmente veio com a esposa e o filho e, depois, acabou fazendo com que os dois retornassem ao Rio de Janeiro. Em seguida, o traficante teria passado um tempo hospedado sozinho, mas acabou chamando uma namorada para ficar com ele. Foi ela que, sem querer, acabou levando os policiais carioca a encontrar Joca, que a esperava na madrugada do último domingo no Aeroporto Pinto Martins. A namorada de Joca voltou no mesmo vôo do traficante, mas não deverá ser presa. "Ele disse que veio se esconder aqui no Estado porque, como todo bom carioca, ele gosta de praia", diz Alves.
De acordo com o delegado Alves, a Polícia vai continuar trabalhando para saber se alguém estaria dando apoio ao criminoso e quais os motivos que o levaram a escolher o Ceará. O que ele fazia, por onde andou e como ele fazia para se manter são questões ainda sem resposta. Nem as polícias civil do Ceará e do Rio de Janeiro sabem, por exemplo, onde estão os R$ 2,5 milhões referentes ao apurado da venda de drogas do morro carioca que ele teria levado dos outros traficantes. Quando fugiu, ele era o chefe da Amigos Dos Amigos (ADA), uma das facções criminosas do Rio de Janeiro.
Segundo o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que fica difícil rastrear o dinheiro. Joca passou por vários locais - Mato Grosso, Maranhão e Distrito Federal - e não utilizou bancos para movimentar a quantia. "Mas precisamos confirmar se a quantia é esta mesma", diz Beltrame, informando que o valor do "rombo" dado por Joca foi repassado pelo serviço de inteligência da polícia do Rio.
Para Beltrame, o traficante carioca tinha intenções de se estabelecer no interior do Ceará. "Ele estava no momento em que se faz um levantamento da região, para criar uma vida formal, ter um emprego, um negócio", acredita o titular da segurança do Rio de Janeiro. De acordo com Beltrame, a comunidade da Rocinha foi muito importante para localizar o traficante, fornecendo informações sobre o paradeiro do criminoso, tanto que a operação para prender Joca ganhou o nome de Cidadão Carioca. Além de tráfico, ele também deverá responder pelo assassinato de três adolescentes. (Com agências)
E-MAIS
Os 11 policiais que faziam a escolta de Joca da Rocinha agiram com bastante discrição. Eles e o traficante ficaram aguardando na área de embarque internacional do Aeroporto Pinto Martins que o vôo 1561 da Gol chegasse.
O grupo foi o primeiro a embarcar na aeronave antes dos outros passageiros. Eles chegaram ao avião em um furgão fornecido pela Infraero. Inicialmente subiram alguns policiais e inspecionaram o avião. Pouco depois Joca subiu, em meio aos policiais.
Pessoas que acompanhavam o movimento dos aviões no aeroporto estranharam a presença de muitos repórteres no local. Alguns chegaram a perguntar quem era a personalidade que estava chegando a Fortaleza.
Para liberar o traficante, a Justiça cearense exigiu que a Polícia do Rio de Janeiro apresentasse o mandado de prisão original expedido contra Joca. O documento foi enviado no domingo, 21.
AS FACÇÕES
Comando Vermelho (CV)
O Comando Vermelho (CV) foi criado em 1979 no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande (RJ), a partir do convívio entre presos comuns e militantes dos grupos armados que combatiam o regime militar. Surgiu a partir da Falange Vermelha, com o lema "Paz, Justiça e Liberdade" e institucionalizou o mito das organizações criminosas no tráfico do Rio. A cocaína foi a responsável pela grande ampliação do poder do CV, na virada dos anos 70 para os 80. O Brasil entrou definitivamente na rota da droga, como ponto de distribuição para a Europa e como mercado consumidor do produto de baixa qualidade. Também trouxe armamento pesado, como pistolas, metralhadoras, fuzis, granadas e armamento antiaéreo. Além de dominar morros e favelas, o Comando Vermelho ainda está organizado nos presídios do Rio, como Bangu 1.
Terceiro Comando
O Terceiro Comando (TC) surgiu nos anos 80 como dissidência do Comando Vermelho, do qual se tornou o grande rival, e tem realizado ações marcadas pela extrema violência para tomar os domínios. Uma série de brigas internas no Comando Vermelho fez com que o TC se fortalecesse e passasse a dominar comunidades.
Amigos dos Amigos
A facção Amigo dos Amigos (ADA) foi fundada por Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, e por Celsinho da Vila Vintém por volta de 1998. Uê foi expulso do Comando Vermelho em 94, após tramar a morte de Orlando Jogador, um dos líderes da principal organização criminosa do Rio de Janeiro. Principal rival do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ligado ao CV, Uê foi morto em 2002, durante rebelião liderada pelo Comando Vermelho no presídio de Bangu 1. Com a morte de Uê e a prisão de Celsinho da Vila Vintém, o Terceiro Comando e a ADA se uniram. Dissidentes das duas facções formaram o Terceiro Comando Puro (TCP).
Fonte: Banco de Dados
De acordo com o delegado Francisco Alves, titular do Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Ceará (DIP), Joca prestou depoimento aos policiais do Rio de Janeiro, que repassaram o material aos cearenses. Segundo o delegado, Joca da Rocinha chegou ao Estado há 70 dias e ficou hospedado em dois flats próximos à avenida Beira Mar, que o O POVO opta por não publicar os nomes. Antes de ser preso, ele teria saído do Ceará, ido para um estado não divulgado pela Polícia e retornado há aproximadamente dez dias.
No depoimento, Joca contou que inicialmente veio com a esposa e o filho e, depois, acabou fazendo com que os dois retornassem ao Rio de Janeiro. Em seguida, o traficante teria passado um tempo hospedado sozinho, mas acabou chamando uma namorada para ficar com ele. Foi ela que, sem querer, acabou levando os policiais carioca a encontrar Joca, que a esperava na madrugada do último domingo no Aeroporto Pinto Martins. A namorada de Joca voltou no mesmo vôo do traficante, mas não deverá ser presa. "Ele disse que veio se esconder aqui no Estado porque, como todo bom carioca, ele gosta de praia", diz Alves.
De acordo com o delegado Alves, a Polícia vai continuar trabalhando para saber se alguém estaria dando apoio ao criminoso e quais os motivos que o levaram a escolher o Ceará. O que ele fazia, por onde andou e como ele fazia para se manter são questões ainda sem resposta. Nem as polícias civil do Ceará e do Rio de Janeiro sabem, por exemplo, onde estão os R$ 2,5 milhões referentes ao apurado da venda de drogas do morro carioca que ele teria levado dos outros traficantes. Quando fugiu, ele era o chefe da Amigos Dos Amigos (ADA), uma das facções criminosas do Rio de Janeiro.
Segundo o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que fica difícil rastrear o dinheiro. Joca passou por vários locais - Mato Grosso, Maranhão e Distrito Federal - e não utilizou bancos para movimentar a quantia. "Mas precisamos confirmar se a quantia é esta mesma", diz Beltrame, informando que o valor do "rombo" dado por Joca foi repassado pelo serviço de inteligência da polícia do Rio.
Para Beltrame, o traficante carioca tinha intenções de se estabelecer no interior do Ceará. "Ele estava no momento em que se faz um levantamento da região, para criar uma vida formal, ter um emprego, um negócio", acredita o titular da segurança do Rio de Janeiro. De acordo com Beltrame, a comunidade da Rocinha foi muito importante para localizar o traficante, fornecendo informações sobre o paradeiro do criminoso, tanto que a operação para prender Joca ganhou o nome de Cidadão Carioca. Além de tráfico, ele também deverá responder pelo assassinato de três adolescentes. (Com agências)
E-MAIS
Os 11 policiais que faziam a escolta de Joca da Rocinha agiram com bastante discrição. Eles e o traficante ficaram aguardando na área de embarque internacional do Aeroporto Pinto Martins que o vôo 1561 da Gol chegasse.
O grupo foi o primeiro a embarcar na aeronave antes dos outros passageiros. Eles chegaram ao avião em um furgão fornecido pela Infraero. Inicialmente subiram alguns policiais e inspecionaram o avião. Pouco depois Joca subiu, em meio aos policiais.
Pessoas que acompanhavam o movimento dos aviões no aeroporto estranharam a presença de muitos repórteres no local. Alguns chegaram a perguntar quem era a personalidade que estava chegando a Fortaleza.
Para liberar o traficante, a Justiça cearense exigiu que a Polícia do Rio de Janeiro apresentasse o mandado de prisão original expedido contra Joca. O documento foi enviado no domingo, 21.
AS FACÇÕES
Comando Vermelho (CV)
O Comando Vermelho (CV) foi criado em 1979 no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande (RJ), a partir do convívio entre presos comuns e militantes dos grupos armados que combatiam o regime militar. Surgiu a partir da Falange Vermelha, com o lema "Paz, Justiça e Liberdade" e institucionalizou o mito das organizações criminosas no tráfico do Rio. A cocaína foi a responsável pela grande ampliação do poder do CV, na virada dos anos 70 para os 80. O Brasil entrou definitivamente na rota da droga, como ponto de distribuição para a Europa e como mercado consumidor do produto de baixa qualidade. Também trouxe armamento pesado, como pistolas, metralhadoras, fuzis, granadas e armamento antiaéreo. Além de dominar morros e favelas, o Comando Vermelho ainda está organizado nos presídios do Rio, como Bangu 1.
Terceiro Comando
O Terceiro Comando (TC) surgiu nos anos 80 como dissidência do Comando Vermelho, do qual se tornou o grande rival, e tem realizado ações marcadas pela extrema violência para tomar os domínios. Uma série de brigas internas no Comando Vermelho fez com que o TC se fortalecesse e passasse a dominar comunidades.
Amigos dos Amigos
A facção Amigo dos Amigos (ADA) foi fundada por Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, e por Celsinho da Vila Vintém por volta de 1998. Uê foi expulso do Comando Vermelho em 94, após tramar a morte de Orlando Jogador, um dos líderes da principal organização criminosa do Rio de Janeiro. Principal rival do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ligado ao CV, Uê foi morto em 2002, durante rebelião liderada pelo Comando Vermelho no presídio de Bangu 1. Com a morte de Uê e a prisão de Celsinho da Vila Vintém, o Terceiro Comando e a ADA se uniram. Dissidentes das duas facções formaram o Terceiro Comando Puro (TCP).
Fonte: Banco de Dados
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