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Fortaleza

ESTRUTURA

Pesquisa avalia 15 delegacias

Mariana Toniatti
da Redação

Os pesquisadores são pessoas comuns e o método é simples. Assim quatro grupos estão visitando 15 delegacias de Fortaleza observando a qualidade da estrutura


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23/10/2007 00:21

O grupo que visitou o 2º DP ficou impressionado com as condições dos presos na carceragem(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)
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O grupo que visitou o 2º DP ficou impressionado com as condições dos presos na carceragem(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)

Eles foram escolhidos aleatoriamente. Os estudantes Antônio Márcio Ribeiro, 15, e Manoel Flávio dos Santos, 16, estavam na igreja quando receberam o convite. Antônia Ferreira Matos, 36, doméstica, foi chamada em casa. Daniela Vasconcelos, 24, universitária, é a quarta integrante da equipe. Ontem de manhã, os quatro começaram a cumprir sua missão: visitar três delegacias da cidade observando a estrutura, o tratamento do público, as condições dos detentos e a qualidade da orientação dada à comunidade. O 2º Distrito Policial (DP), na Aldeota, foi o primeiro da lista.

A pesquisa faz parte de um projeto que ocorre simultaneamente em outros 25 países, pensada e organizada pela Altus, uma organização internacional sediada na Holanda, que desenvolve projetos nas áreas de segurança pública e justiça criminal. A metodologia é a mesma para todo o mundo. Os pesquisadores são pessoas comuns e o treinamento antes do trabalho de campo é rápido, dura apenas um dia. Na seqüência das visitas, o grupo discute o que viu e atribui pontos para cada item do questionário elaborado na Holanda.

"A idéia não é criticar, chegar apontando falhas, mas ter um diagnóstico feito por quem tem um olhar limpo, por quem é da comunidade, por quem é atendido aqui. As observações são para gerar melhoria", diz a coordenadora da pesquisa em Fortaleza, Celina Galvão Lima, do Laboratório de Estudos da Violência (LEC) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Outros três grupos, com quatro integrantes cada, fazem as visitas em Fortaleza e tem até domingo para terminar a pesquisa. Ao todo, 15 delegacias serão analisadas.

"As pessoas estranharam quando contei o que ia fazer, até porque sou da área de saúde", conta Daniela, estudante de fisioterapia. "Conheço a delegacia como vítima, mas hoje tenho que ter outro olhar." Logo na entrada, conversando com quem esperava atendimento, Daniela ouviu reclamações. "Vai fazer uma hora que estou sentada nesse banco duro, tudo bem que tem ar-condicionado, mas esse banco...", dizia a professora Elke Barrio. Depois de ir duas vezes à delegacia do Edson Queiroz, o 26º DP, a professora teve que ir até a Aldeota para ser atendida. "Cheguei às 8h30min lá e não havia funcionário. Uma hora depois já era muita gente para fazer boletim de ocorrência com um único escrivão." Elke queria registrar um assalto sofrido no Dendê, caminho da sua casa.

Para os pesquisadores, entrar na carceragem foi o mais difícil. "É estranho. Fiquei impressionado com a sujeira e eles ainda disseram que estava mais sujo antes da gente chegar", comenta Márcio. O amigo, Manoel, chama a atenção para o cheiro. "A gente sente antes de entrar."

Antônia sentiu pena. "A gente sabe que ele fez o que fez, mas é uma quentura ali, um monte de homem junto, sem nada para fazer, amanhecendo sem café da manhã." A delegacia fornece almoço e jantar, mas não há verba para uma terceira refeição. As avaliações dos pesquisadores serão enviadas para a Holanda. A análise volta para as cidades, é divulgada para a população e enviada para organismos de segurança públicos e não governamentais.


É possível registrar boletins de ocorrências menos graves, como a perda de documentos ou celular, no endereço www.policiacivil.ce.gov.br/beo.asp


E-MAIS

No Brasil serão visitadas 160 delegacias nas cidades e regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (40 delegacias), São Paulo (30), Fortaleza (15), Belo Horizonte (15), Recife (15), Brasília (15) e Porto Alegre (15).

Este é o segundo ano da pesquisa no Brasil. Fortaleza foi incluída agora.

O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, é o coordenador nacional do projeto.


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maria cleana peixoto

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