Fortaleza
DOR
Vítima relata momentos de tensão
Sem saber que eram um dos alvos da operação policial na avenida Raul Barbosa, Denise Campos, seu esposo e amigos acabaram vítimas da ação da PM que resultou em três pessoas do grupo feridas. Indignada e confusa, ela relata os momentos de tensão durante as abordagens policiais
28 Set 2007 - 01h37min
Na noite da última quarta-feira ela havia ido buscar junto com seu esposo, o italiano Innocenzo Brancati, 39, o casal de amigos espanhóis Marcelino Ruiz e Marcela Santiago, que haviam chegado de viagem momentos antes. Próximo à torre de observação da Polícia Militar, acabaram baleados. Segundo ela, o carro do grupo acelerou para tentar fugir do que eles pensavam ser um tiroteio. Sem saber que o alvo eram justamente eles. Mais à frente, como alguns viram que estavam feridos, Innocenzo tentou procurar ajuda. "Meu marido parou pela segunda vez e fuzilaram o carro", desabafa, lembrando que o ato foi cometido justamente por quem deveria prestar segurança. Três dos ocupantes acabaram feridos à bala.
Agora, ela pede às pessoas que estavam na avenida Raul Barbosa e presenciaram a operação, que procurem uma delegacia e relatem o que viram, para fortalecer seu discurso. O objetivo é fazer frente à versão da Polícia Militar de que o grupo não obedeceu à ordem de parar, por isso os tiros. Segundo a Polícia mais à frente, ao perceberem o erro os policiais teriam auxiliado o grupo ferido que havia parado o carro. Denise está reconsiderando a hipótese de continuar morando no Brasil. "Há uns dois anos estes meus amigos espanhóis estiveram aqui e amaram o lugar. Agora, essa foi a recepção que eles receberam", exemplifica.
A indignação da pediatra Jocileide Sales Campos foi a mesma de muitos moradores de Fortaleza nesta quinta-feira. Sua filha, Denise Campos, viu-se ameaçada por quem deveriam protegê-la. Jocileide agradece a sorte, ao constatar que a administradora de empresas escapou apenas com escoriações no joelho direito após ter o carro metralhado por engano por policiais militares. Mas lamenta a dor causada a Marcelino Ruiz, amigo de Denise, que ficou paraplégico.
"Minha filha chegou a dizer que se sente responsável pela situação do amigo. Eu disse para a Denise não ficar assim, mas ela disse que se sente responsável por tudo que aconteceu com o espanhol, por esse ser o nosso País, um lugar que não respeita visitantes", lamenta Jocileide. "Já que assaltos são tão comuns hoje, espero que esses equívocos da Polícia não se repitam. Tenho medo desses enganos, porque, a partir de agora, se eu for parecida com um bandido, não vou ter chance de me defender", acrescenta.
Jocileide conta que ficou sabendo do tiroteio por meio da filha, que telefonou ainda de dentro do carro de polícia, no momento em que era socorrida ao Hospital Monte Klinikum. "Eu pensei inicialmente que tinha se tratado de um assalto e que a minha filha estava sendo levada para o hospital, pois eu ouvia o barulho de sirenes. Fiquei desesperada", relata.
Apenas quando chegou ao hospital que Jocileide ficou sabendo do que havia acontecido. "Não consegui falar nos primeiros minutos. Só queria abraçar minha filha", relembra a médica, que critica a desatenção da Polícia Militar e do Governo do Estado. "Passado um dia nem ao menos uma autoridade do Ceará nos deu uma ligação (telefônica), a não ser representantes dos consulados da Espanha e da Itália". (Rafael Luis e Marcos Cavalcante)
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