Fortaleza
CONSUMO
MP investiga se bebida estimula evasão escolar
Segundo o Ministério Público, bares próximos aos colégios públicos e particulares de Fortaleza contribuem para a evasão e a baixa freqüência dos alunos
Thiago Cafardo
da Redação
11 Set 2007 - 01h06min
O estudante Marcelo (nome fictício), de 16 anos, diz que costuma beber duas vezes por semana com os amigos em bares próximo ao colégio, localizado no Centro de Fortaleza. Ele afirma que prefere consumir álcool após o horário letivo, mas conta que já deixou de entrar na aula para ficar em botecos da região. "Às vezes, a gente encontra alguém no bar e acaba nem entrando na sala". Além dos riscos do álcool à saúde, a baixa freqüência e a evasão escolar causadas pelo consumo de bebida alcoólica são os fatores que mais preocupam o Poder Público. "Esses bares próximos a escolas são um estímulo à evasão escolar. O aluno é influenciado por um amigo que está em uma mesa de bar e acaba deixando de ir para a aula", afirma o promotor Francisco Elnatan de Oliveira, da Promotoria da Defesa da Educação do Ministério Público do Ceará.
Ainda não existem dados oficiais sobre a evasão escolar nas escolas das redes pública e particular de Fortaleza. Mas, segundo o promotor, um relatório deverá ser elaborado após o mês de setembro. "Depois das blitze vamos formatar os dados sobre a evasão", explica o promotor, referindo-se à fiscalização realizada pela Prefeitura nos bares localizados nas proximidades das escolas públicas e particulares da Capital. A ação das Regionais, em parceria com o Ministério Público e a Polícia Militar, notificou 205 estabelecimentos comerciais - entre bares, lanchonetes e quiosques - em situação irregular nos meses de julho e agosto.
"Um aluno com baixa freqüência não vai ter o mesmo grau de aprendizado daquele que vai às aulas normalmente. Aumenta a possibilidade de ele tirar nota baixa, de reprovação", afirma o promotor Francisco Elnatan. Segundo a pedagoga Grace Troccoli, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e doutora em Educação, o estudante que deixa de freqüentar as aulas diariamente acaba quebrando o processo contínuo de aprendizado. "É como uma bola de neve. Se o aluno perde o conteúdo, na aula seguinte ele está quase que excluído da discussão em sala", diz. "Mesmo que consiga dar conta do conteúdo, o aluno precisa saber que ele tem um compromisso diário com a escola".
Concentração
O raciocínio lento e a diminuição da capacidade de concentração são apontados por especialistas como os principais danos do consumo de bebida alcoólica para os adolescentes. "Se o aluno está sob efeito do álcool ou de ressaca, ele não consegue ter um rendimento adequado em sala, não vai conseguir se concentrar", diz a psicóloga Ranny Felix, coordenadora da Política de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
De acordo com o psicólogo Pedro Câmara, do Núcleo de Saúde Mental do Centro de Apoio Psicossocial (CAPs) da Regional VI, o adolescente que consome bebida alcoólica perde a energia que deveria ser colocada nos estudos. "Na prática é isso que acontece. Com certeza vai prejudicá-lo nos estudos", afirma. "É necessário que os alunos conheçam os riscos do uso abusivo do álcool", diz a psicóloga Juliana Oliveira, do Departamento de Psicologia da UFC.
Acompanhe a série
Na edição da última segunda-feira, O POVO mostrou que é grande o número de estabelecimentos comerciais que vendem bebida alcoólica próximo a escolas públicas ou particulares. Preocupada com a situação, a Prefeitura de Fortaleza realizou diversas blitze nos meses de julho e agosto para coibir a venda de bebida perto de colégios. A fiscalização notificou 205 bares, a maioria sem alvará de funcionamento.
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ÁLCOOL É O CAMPEÃO
DROGAS MAIS CONSUMIDAS
- Álcool - 65,2%
- Tabaco - 24,9%
- Solventes - 15,5%
- Maconha - 5,9%
- Cocaína - 2%
Fonte: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid)
E-MAIS
O álcool é uma substância lícita, obtida a partir da fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raízes e frutas. É também a substância que mais traz danos à saúde, causa dependência e possui um quadro de abstinência que pode levar ao óbito, se não tratada. Estudos brasileiros apontam que boa parte dos estudantes do ensino fundamental e a imensa maioria dos estudantes do ensino médio experimentam bebidas alcoólicas antes do término destes ciclos.
Segundo Ranny Felix, coordenadora de Política de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é importante que o combate ao consumo de álcool na adolescência seja realizado de modo educativo. "O debate não pode ser repressivo. Por isso, estamos fazendo ações educativas nas escolas e nas comunidades", diz.
Ainda não existem dados oficiais sobre a evasão escolar nas escolas das redes pública e particular de Fortaleza. Mas, segundo o promotor, um relatório deverá ser elaborado após o mês de setembro. "Depois das blitze vamos formatar os dados sobre a evasão", explica o promotor, referindo-se à fiscalização realizada pela Prefeitura nos bares localizados nas proximidades das escolas públicas e particulares da Capital. A ação das Regionais, em parceria com o Ministério Público e a Polícia Militar, notificou 205 estabelecimentos comerciais - entre bares, lanchonetes e quiosques - em situação irregular nos meses de julho e agosto.
"Um aluno com baixa freqüência não vai ter o mesmo grau de aprendizado daquele que vai às aulas normalmente. Aumenta a possibilidade de ele tirar nota baixa, de reprovação", afirma o promotor Francisco Elnatan. Segundo a pedagoga Grace Troccoli, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e doutora em Educação, o estudante que deixa de freqüentar as aulas diariamente acaba quebrando o processo contínuo de aprendizado. "É como uma bola de neve. Se o aluno perde o conteúdo, na aula seguinte ele está quase que excluído da discussão em sala", diz. "Mesmo que consiga dar conta do conteúdo, o aluno precisa saber que ele tem um compromisso diário com a escola".
Concentração
O raciocínio lento e a diminuição da capacidade de concentração são apontados por especialistas como os principais danos do consumo de bebida alcoólica para os adolescentes. "Se o aluno está sob efeito do álcool ou de ressaca, ele não consegue ter um rendimento adequado em sala, não vai conseguir se concentrar", diz a psicóloga Ranny Felix, coordenadora da Política de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
De acordo com o psicólogo Pedro Câmara, do Núcleo de Saúde Mental do Centro de Apoio Psicossocial (CAPs) da Regional VI, o adolescente que consome bebida alcoólica perde a energia que deveria ser colocada nos estudos. "Na prática é isso que acontece. Com certeza vai prejudicá-lo nos estudos", afirma. "É necessário que os alunos conheçam os riscos do uso abusivo do álcool", diz a psicóloga Juliana Oliveira, do Departamento de Psicologia da UFC.
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Na edição da última segunda-feira, O POVO mostrou que é grande o número de estabelecimentos comerciais que vendem bebida alcoólica próximo a escolas públicas ou particulares. Preocupada com a situação, a Prefeitura de Fortaleza realizou diversas blitze nos meses de julho e agosto para coibir a venda de bebida perto de colégios. A fiscalização notificou 205 bares, a maioria sem alvará de funcionamento.
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O álcool é uma substância lícita, obtida a partir da fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raízes e frutas. É também a substância que mais traz danos à saúde, causa dependência e possui um quadro de abstinência que pode levar ao óbito, se não tratada. Estudos brasileiros apontam que boa parte dos estudantes do ensino fundamental e a imensa maioria dos estudantes do ensino médio experimentam bebidas alcoólicas antes do término destes ciclos.
Segundo Ranny Felix, coordenadora de Política de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é importante que o combate ao consumo de álcool na adolescência seja realizado de modo educativo. "O debate não pode ser repressivo. Por isso, estamos fazendo ações educativas nas escolas e nas comunidades", diz.
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