Mariana Toniatti
da Redação
Este ano, a força dos ventos começou a ser sentida desde o começo de julho. Duas árvores caíram na Aldeota e uma das causas pode ser a ventania
11/07/2007 01:30

No calendário, a temporada de ventos vai de agosto a outubro. Na prática, a ventania já começou. Desde o começo de julho, a brisa vem ganhando força. Ontem provou que virou vento, derrubou duas árvores. Na praia, o mar está mais agitado. Na altura da linha de maré, onde as ondas quebram, a entrada do vento provoca escavações no fundo de areia, formando valas. Perigo para os banhistas. Os buracos puxam para o fundo, principalmente se a maré estiver secando. Como as valas mudam de lugar dependendo do horário e do dia, os banhistas devem ficar atentos.
"Isso é o que percebemos de forma empírica, no dia-a-dia", diz o major do Corpo de Bombeiros Glêdson Rodrigues, comandante do Quartel do Mucuripe. "Quem for tomar banho de mar tem que ser muito prudente. Antes a recomendação era entrar até a altura do umbigo, hoje nem isso a gente diz mais". Para os surfistas, é tempo de entressafra. As ondas perdem a formação e a força com a ventania. Quem se arrisca tem que ter braço para remar. A vez é dos esportes de velejo. Kitesurfistas e windurfistas esperam o ano todo pela temporada de ventos. Essa é a hora dos campeonatos e dos melhores dias de velejo.
"Não tem as estações de esqui de montanha na Europa? O Ceará vira uma estação de kitesurf", diz o presidente da Associação Cearense de Kitesurf, Beto Ary. Ele conta que nessa época praias como a do Cumbuco, uma das melhores para os kitesurfistas, chegam a receber 200 praticantes num só dia. "Os europeus passam no mínimo dez dias aqui e nem pisam em Fortaleza. Vão direto para as praias. O governo devia investir mais nesse turista". O tempo bom dos kitesurfistas vai até dezembro. Não que não seja possível velejar no resto do ano, sempre tem uma brisa soprando, mas no auge da ventania, dá para alcançar 70 km/h num windsurf.
"É muito mais radical, muita adrenalina. Com vento forte dá para aliar velocidade e manobras", diz Bertrand Guy Colfort, presidente da Associação Cearense de Windsurf. Ele dá a dica: "Essa é a melhor hora para aprender". Quem vive do mar não se empolga com a chegada do vento. Os pescadores ficam desconfiados. Alguns tentam diminuir as viagens ou trocam a jangada pela lancha a motor. "Faz tempo que não some embarcação, mas já vi muita gente ficar nesse tempo de vento forte", conta Edmar Cordeiro, 45, pescador desde os 18. Ele mesmo passou por um sufoco. Era madrugada quando a jangada emborcou com uma onda forte formada pelo vento.
Edmar e os quatro companheiros passaram mais de três horas tentando desvirar a embarcação. "O vento levava a jangada. Achei que nem ia voltar". Como o perigo aumenta, até outubro o preço dos peixes também sobe. "Há um mês uma cavala era R$ 8,00, hoje é R$ 12,00", confirma Antônio da Silva, 35. Luiz de Oliveira, 47, o Pelé do Mercado do Mucuripe, explica. "Além do perigo aumentar, os peixes se perdem debaixo d'água arrastados pela correnteza formada pelo vento. Acaba faltando. Sabe aquela lei de oferta e demanda? Então..."
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