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MARCA DOS TRAFICANTES

Símbolo em pacote de cocaína é pista para identificar cartel

Um desenho misterioso foi encontrado nos pacotes de cocaína apreendidos em alto-mar. A Polícia Federal quer saber se a imagem é a identificação de algum cartel do tráfico

Cláudio Ribeiro
da Redação

04 Jul 2007 - 02h11min

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A cocaína apreendida está recolhida na sede da Polícia Federal da Paraíba(Foto: JORNAL CORREIO DA PARAÍBA)
Um símbolo é a principal pista da Polícia Federal para tentar identificar a origem da cocaína encontrada no barco pesqueiro cearense Sabala, apreendida em águas internacionais, que está recolhida em João Pessoa (PB). A PF ainda não sabe de onde saiu nem onde foram embarcados os 860 quilos da droga, encontrados na embarcação, junto com três pescadores cearenses e um boliviano, que até ontem à tarde não tinha a identidade confirmada. Ontem, o delegado federal responsável pela investigação, Francisco Martins, revelou que nas embalagens com a cocaína (pequenos tabletes em 24 fardos, de aproximadamente 35 quilos cada) havia o desenho de uma folha de palmeira junto com a letra R.

Impressa em baixo relevo em cada pacote, a imagem seria uma identificação que os cartéis de traficantes costumam usar para indicar seus laboratórios de refino ou para apontar facções proprietárias da droga. Pelo desenho, o delegado quer chegar pelo menos à região de origem. "Há suspeitas de que essa cocaína seja da Colômbia", admitiu Martins. O símbolo aparece em todos os pacotes. A reprodução da imagem não foi liberada pela Polícia. Como houve a prisão de um boliviano, está sendo investigado se o país seria o fornecedor.

Pelos depoimentos tomados, principalmente dos cearenses, a Polícia Federal já sabe que o barco Sabala saiu do Ceará e foi até o Amapá. Lá, o boliviano Jesus Rivero Soares (nome por enquanto usado para registro de sua prisão) teria se aproximado noutro barco, também em alto-mar, e embarcado para seguir viagem no pesqueiro cearense. Eles também disseram à Polícia que iriam ao Norte do Brasil vender o Sabala, mas não souberam dizer a quem nem porque permitiram o embarque do estrangeiro. A cocaína, segundo o delegado, pode ter sido jogada de um avião. Um celular com sinal de satélite e um aparelho GPS foram apreendidos com os acusados.

A rota Brasil-África-Europa pelo oceano Atlântico é costumeiramente usada pelos traficantes, segundo registros policiais. O Sabala navegava em águas internacionais (a cerca de 2.400 quilômetros da costa brasileira) quando foi abordado pelo navio de guerra francês Jules Verne, no último dia 8 de junho. Após o aviso ao governo brasileiro no último dia 20, a PF e a Marinha, com a fragata João Miguel Greenhalgh, foram buscar o barco apreendido e a tripulação. Saíram dia 24 e chegaram no último domingo (1º) ao porto de Cabedelo (PB). Além do boliviano, estavam a bordo os cearenses Francisco Alves Pereira da Silva, 59, Neirton Manuel do Nascimento, 55, e Ricardo Alves da Silva, 47.

Hoje deve sair a definição da 2ª Vara da Justiça Federal, na Paraíba, para saber a qual presídio local serão transferidos os cearenses e o boliviano. Os prováveis são o presídio Sílvio Porto (ou "Presídio do Roger", como é conhecido) ou a Penitenciária de Segurança Máxima da Mangabeira, ambos na região metropolitana de João Pessoa. Os quatro acusados estão desde domingo na sede da superintendência da Polícia Federal em João Pessoa.

Francisco Alves, Neirton, Ricardo e Jesus Rivero voltarão a ser ouvidos hoje, informou ao o delegado regional executivo da PF-PB, Cláudio Lima. Ele disse que já é certo que os cearenses são realmente pescadores, mas estão apurando a identidade do boliviano, que usava documentação falsa. "Não podemos divulgar ainda qual seria o verdadeiro nome, estamos checando", explicou Lima. O delegado Francisco Martins chegou a admitir ontem, e depois desconfirmar, que há mais cearenses sendo investigados na operação. Pelo transporte da droga, os pescadores disseram em depoimento ter recebido R$ 3 mil e teria sido a primeira vez que se envolviam em crime. Todos responderão por tráfico internacional de droga e poderão pegar de 5 a 15 anos de reclusão.

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