23/06/2007 03:34
Dos quase nove mil professores temporários da rede pública estadual de ensino, mais de 200 ainda não receberam nenhum pagamento em 2007. Em alguns casos, o atraso chega a cinco meses. A Secretaria da Educação (Seduc) começou a regularizar a situação de quem tem contrato temporário a partir desse mês, por meio de uma folha suplementar, mas nem todos foram contemplados. Esse é o caso do professor de Ciências e Matemática, Geraldo Roque, 24, que trabalha nos turnos manhã e tarde na Escola de Ensino Fundamental e Médio Adalgisa Bonfim Soares, no Conjunto Esperança.
Roque começou a trabalhar no fim de março, logo depois do início das aulas. Desde essa época, ele afirma que está dando aulas sem ser pago: "Prometeram pagar em maio, mas não saiu. Quando ligo, o pessoal (da Seduc) não sabe informar, fica um jogando para outro lá dentro. É difícil. Fico esperando o fim do mês para ver se vou receber e não posso assumir nenhum tipo de compromisso".
Sem dinheiro, o professor foi obrigado a recorrer à ajuda dos pais, que pagam sua alimentação e o transporte até a escola. "Já pensei em desistir e tentar fazer uma outra faculdade para sair dessa situação. Gosto de ensinar, é uma vocação. Mas seria melhor que a gente fosse melhor remunerado".
Situação semelhante vive a professora de Espanhol Maria José Maciel. Ela ensina em duas escolas da rede pública, mas não recebeu em nenhuma das duas. A renda, por enquanto, vem das aulas que dá em uma escola particular. "Estou com virose, mas venho trabalhar do mesmo jeito. Uma professora conhecida minha desistiu de dar aulas no Estado, porque não iria perder mais tempo para não receber nada".
O coordenador de gestão de pessoas da Seduc, Renato Pinheiro Nunes, afirma que vários fatores contribuíram para o atraso no pagamento, como o fato de professores que não entregaram a documentação, erros de digitação nos processos e o não envio de informações por parte das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Credes). Em alguns casos, destaca, os contratados não teriam nem fornecido o número da conta corrente, item indispensável para que o pagamento seja realizado.
Segundo Renato Nunes, a previsão é que os professores temporários que ainda não receberam comecem a ser pagos no início do mês que vem. "Alguns professores deverão receber na folha de junho, mas os outros, por causa da falta de documentação, deverão receber somente em agosto", adverte.