Yanna Guimarães
da Redação
Professores da Uece definiram uma nova contraproposta de reajuste que deve ser entregue ao governo na sexta. Foi sugerido aumento de 130% em dois anos, em contrapartida à proposta de reajuste de 100% em quatro anos feita pelo Estado
19/06/2007 01:33

Os professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) se reuniram em assembléia ontem para discutir a contraproposta do Governo do Estado de reajuste salarial e implantação do Plano de Cargos e Carreiras (PCC) da categoria. Depois da proposta dos professores de um aumento imediato de aproximadamente 200%, a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) contrapropôs um reajuste de 100% em quatro anos. No entanto, as condições não agradaram aos professores, que organizaram uma nova sugestão ao Governo que propõe 130% de aumento escalonado em dois anos.
A nova proposta deve ser apresentada à Seplag na próxima sexta-feira, 22. No entanto, para tentar acelerar a implantação do PCC, os docentes devem paralisar as atividades por um dia na próxima semana. De acordo com o presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), Célio Coutinho, a nova proposta dos professores prevê que, no primeiro ano, o reajuste seja de 63,27% e no segundo ano, de 40,9%. Além dessas condições, a categoria pede que haja uma ajuda de custo aos professores que trabalham no Interior. "É uma proposta extremamente razoável. Queremos implantar o PCC sem sobrecarregar a sociedade. Nós temos o pior salário das universidades do Brasil, por isso muitos professores já deixaram as estaduais".
Presente na assembléia, Maria Cristina da Silva, professora do curso de veterinária, não aceita a contraproposta do Governo. "Quem sabe o que é bom para os professores somos nós e não o Governo. O que a gente pediu é o que a gente precisa", afirma. O presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Vale do Acaraú (Sinduva), Nicolau Bussons, relata que, nos últimos dez anos, as perdas salariais chegaram a 70%. "Queremos recuperar o que a gente já perdeu. Por isso pedimos 200% no início".
Alunos
A movimentação dos professores preocupou os alunos. Aluna de pedagogia, Leide Daiane Marinho apóia a luta pelo reajuste salarial dos docentes, mas teme uma nova greve caso as condições não sejam atendidas. "Sei que é direito deles, mas a gente não pode passar por uma nova greve, já passamos tempo demais sem ter aulas". Sobre a possibilidade, o presidente do Sinduece afirma que a categoria não pensa nisso ainda. "Acreditamos que não deva haver greve, pois cremos que o governo vai cumprir com o acordo firmado durante a campanha. Ele deve honrar os salários dos professores", completa o presidente do Sinduece.
A implantação do PCC era a reivindicação principal da última greve dos professores, que durou cinco meses e terminou em novembro do ano passado com a promessa de reajuste por parte do governo. Sobre a questão, a Seplag informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só deve se manifestar e falar com as lideranças das universidades em reunião sexta-feira, após o anúncio do reajuste salarial de todos os servidores, ocasião em que o governo deverá conceder um reajuste diferenciado aos professores universitários, a título de adiantamento por conta do novo PCC, que está em análise.
PROPOSTAS
Dos servidores
- Reajuste salarial imediato de 200%
- Manter as gratificações existentes e não criar novas
- Manter a composição das carreiras
- Ajuda de custo para os professores que trabalham no Interior
Do estado
- Reajuste salarial de 100% em quatro anos
- Cerca de três meses para implantar o PCC
- Padronização da estrutura e composição das carreiras
Dos servidores
- Reajuste salarial de 130% escalonado em dois anos, sendo 63,27% no primeiro ano e 40,9% no segundo
- Manter as gratificações existentes e não criar novas
- Manter a composição das carreiras
- Ajuda de custo para os professores que trabalham no Interior
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