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Fortaleza

CORPO DE BOMBEIROS

Cão vai compor equipes de resgate

Lucinthya Gomes
Especial para

Hoje, a brincalhona Farra, cadela da raça labrador, será incorporada pelos Bombeiros. Ela auxiliará em atividades de busca, resgate e salvamento. O cão agregará agilidade à ação dos Bombeiros, para salvar vidas


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29/05/2007 01:09

Farra, um labrador, faz parte do projeto Cães que Salvam(Foto: LIA DE PAULA)
Farra, um labrador, faz parte do projeto Cães que Salvam(Foto: LIA DE PAULA)

Ela tem todas as qualidades. Brincalhona, é o tipo de cachorro que, desde bebê, gosta de bagunça, cava buracos e destrói objetos. Características que geralmente não agradam num cachorro doméstico, fizeram de Farra, de dois anos, uma bombeira com grande potencial para busca, resgate e salvamento. Treinada em São Paulo, ela está pronta para realizar buscas de pessoas e corpos em escombros, deslizamentos com soterramentos, perdidos em mata ou cadáveres submersos. Tudo isso com uma agilidade que pode ser determinante para salvar vidas. Na manhã de hoje, 29, Farra será incorporada pelo Corpo de Bombeiros.

A solenidade, que será realizada no Comando Geral do Corpo de Bombeiros, a partir de 8 horas, contará com o secretário da Segurança e Defesa Social, Roberto Monteiro. A aquisição da cadela, que é da raça Labrador, representa a implantação do projeto Cães que Salvam, iniciativa inédita no Nordeste. Ontem, na Lagoa da Maraponga, Farra participava de treinamento com equipes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, do Ceará e de outros cinco Estados com interesse em atuar com cães-resgate, para que os oficiais aprendessem a reconhecer os sinais emitidos por ela quando alcança seu objetivo.

"Existem 99% de chances de acerto. Ela consegue localizar algo em até doze metros embaixo d'água", garante o adestrador, Luís Gabriel dos Santos, de São Paulo. Conforme Gabriel, Farra é de uma ninhada de sete cachorros, da qual apenas ela e a irmã, Vida, apresentaram o perfil para resgate, por serem bagunceiras. Os demais serão incluídos em equipes de busca de drogas, como cães farejadores. Apesar de gostar de farra, a cadela é bastante calma e concentrada quando está em ação. O principal ganho na atuação do Corpo de Bombeiros é a rapidez com que o animal localiza alguém, amenizando a tensão psicológica da família, diz Gabriel, que atua com adestramento de cães desde 1980.

O projeto Cães que Salvam inclui também a formação de quatro oficiais do Corpo de Bombeiros em adestramento de cães para este fim. Dois concluíram o curso em Santa Catarina, enquanto outros dois estão no Rio de Janeiro e devem concluir o curso em julho. Em Fortaleza, já existem dois filhotes, também da raça Labrador, para serem adestrados, trabalho que terá início semana que vem, conforme o tenente José Alexandre da Silva Júnior. Ele é um dos oficiais que participaram da capacitação em Santa Catarina.

A cadela Farra foi uma doação dos Clubes de Rotary de Fortaleza, do Distrito 4490 do Rotary Internacional e da Federação Educativa dos Rotarianos. A irmã dela, Vida, passará por temporada em Fortaleza. O adestrador Gabriel dos Santos explica que quem quiser comprar o animal para doar aos Bombeiros, basta entrar em contato com o Comando Geral. Ele prefere não revelar o valor da cadela. Para o major do Corpo de Bombeiros Albert Arruda, contar com esses animais em atividades de resgate representa ganhar tempo e, nos casos de pessoas vivas, a possibilidade de encaminhá-las imediatamente para o socorro.


SERVIÇO
Quem tiver interesse em comprar a cadela Vida, irmã de Farra, para então doá-la ao Comando Geral do Corpo de Bombeiros, deve ligar para o tenente Alexandre da Silva Júnior, pelo número (85) 8803-0576.


E MAIS

Conforme o tenente do Corpo de Bombeiros, José Alexandre da Silva Júnior, foram as buscas por pessoas soterradas no desabamento nas obras do metrô Pinheiros, em São Paulo, que motivaram equipes de busca em todo o País a adotar cães resgate para a atividade.

O treinamento desses animais, de acordo com o adestrador Luís Gabriel do Santos, é feito por meio da técnica de cheiro-guia. Mostra-se algum objeto ou peça com o cheiro da pessoa que se procura, para que o animal fareje e localize.

No caso de buscas na água, o treinamento é feito com pedaços de tecido humano em tubos de PVC. O cachorro consegue localizar os tubos submersos com até doze metros de profundidade. Segundo Gabriel, numa situação for real, quando Farra localizar o corpo, um mergulhador entrará em ação.

Sempre que o animal consegue encontrar o que está procurando, ele será premiado com um brinquedo.

De acordo com Gabriel, é importante que em Fortaleza o Comando Geral do Corpo de Bombeiros continue cuidando bem de Farra. É preciso dar banho, escovar o pêlo, levar para passear e brincar com bolinha, além de dar comida.

"O cão vai escolher alguém para ser o líder dele. Normalmente, eles gostam mais de quem dá comida, o tratador", afirma Gabriel. Segundo ele, a cada seis meses, ele virá a Fortaleza para fazer a reciclagem no treinamento dos bombeiros e dos cães.


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