Fortaleza
COLÓQUIO
Quando o fato regional vira notícia na mídia?
Que critérios a grande mídia utiliza para levar ou não ao público informações regionais? No XII Colóquio Internacional de Comunicação um painel discutiu essa relação
Mariana Toniatti
da Redação
25 Mai 2007 - 02h10min
Ontem, o XII Colóquio Internacional de Comunicação para o Desenvolvimento Regional (Regiocom) discutiu que critérios tornam fatos regionais notícias para o público das grandes mídias. Mais do que isso, de que forma eles chegam através desses grandes veículos. Complicado? Com o exemplo do professor Daniel Galindo, da Universidade Metodista de São Paulo, fica mais fácil entender do que falaram os especialistas no primeiro painel do dia.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou como uma manifestação cultural popular e espontânea e ganhou nova dimensão quando o gaúcho Plínio Pacheco tirou a encenação da rua, levou para um espaço fechado e passou a cobrar ingresso, há 40 anos. A virada veio com a contratação de atores globais nos papéis títulos. A tradição virou fenômeno de público, festa de multidão, chegando a receber 72 mil pessoas em 2007.
"Para garantir audiência tem que ser belo, ser espetáculo o tempo todo e para isso se alteram as formas. É uma mecânica repetida, aparentemente são manifestações diferentes, mas partem dos mesmos princípios", critica Daniel. Maneiras alternativas de fazer o local chegar para o grande público conseguem burlar essa descaracterização. Carmen Gómez Mont, da Universidad Nacional Autonoma de Mexico, apresentou o caso dos grupos indígenas que acompanha.
Eles descobriram na internet um meio de comunicação capaz de retratá-los sem cair em estereótipos. A fidelidade à mensagem está intrinsecamente ligada ao fato de que os próprios índios cuidam de suas páginas na rede. "O movimento de criar sua própria imagem na net é uma reação ao estereótipo criado na TV onde só apareciam como grupos atrasados, incapazes de se desenvolver", disse em sua apresentação.
Os fenômenos de comunicação populares configuram uma área de estudo específica, a Folkcom. O conceito e a metodologia foram criados no Brasil pelo comunicólogo Luiz Beltrão. "O cordel e a cantoria popular, por exemplo, traduzem a interpretação da notícia veiculada pela grande imprensa na expressão popular", explica a presidente da Rede Folkcom - Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação, Betania Maciel, a terceira a falar.
O professor da Universidade Federal do Ceará Casemiro Neto chamou a atenção para a necessidade de mais estudos acerca da recepção do que é veiculado. "Audiência é muito diferente de recepção. O primeiro é quantitativo, o segundo, qualitativo". Hoje, último dia de Regiocom, a discussão parte da seguinte pergunta: Regionalização Midiática e política: que processos interessam ao controle social?
FIQUE POR DENTRO
Um dos sites criados por grupo indígena mexicano: www.xiranhua.com.mx
www.prex.ufc.br/regiocom
E-mais
DESIGUALDADES REGIONAIS
- O XII Colóquio de Comunicação para o Desenvolvimento Regional traz como tema a Comunicação e as Desigualdades Regionais.
- Começou na quinta-feira e termina hoje.
- A realização é da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a Unesco.
- Hoje, às 8h30min, o painel "Regionalização midiática e política: que processos interessam ao controle social?", traz o espanhol Manuel Chaparro Escudero; Anamaria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo; Maria Érika de Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; e Márcia Vidal, da UFC.
- O evento acontece na Faculdade 7 de Setembro (FA7), rua Alm. Maximiniano da Fonseca, 1395.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou como uma manifestação cultural popular e espontânea e ganhou nova dimensão quando o gaúcho Plínio Pacheco tirou a encenação da rua, levou para um espaço fechado e passou a cobrar ingresso, há 40 anos. A virada veio com a contratação de atores globais nos papéis títulos. A tradição virou fenômeno de público, festa de multidão, chegando a receber 72 mil pessoas em 2007.
"Para garantir audiência tem que ser belo, ser espetáculo o tempo todo e para isso se alteram as formas. É uma mecânica repetida, aparentemente são manifestações diferentes, mas partem dos mesmos princípios", critica Daniel. Maneiras alternativas de fazer o local chegar para o grande público conseguem burlar essa descaracterização. Carmen Gómez Mont, da Universidad Nacional Autonoma de Mexico, apresentou o caso dos grupos indígenas que acompanha.
Eles descobriram na internet um meio de comunicação capaz de retratá-los sem cair em estereótipos. A fidelidade à mensagem está intrinsecamente ligada ao fato de que os próprios índios cuidam de suas páginas na rede. "O movimento de criar sua própria imagem na net é uma reação ao estereótipo criado na TV onde só apareciam como grupos atrasados, incapazes de se desenvolver", disse em sua apresentação.
Os fenômenos de comunicação populares configuram uma área de estudo específica, a Folkcom. O conceito e a metodologia foram criados no Brasil pelo comunicólogo Luiz Beltrão. "O cordel e a cantoria popular, por exemplo, traduzem a interpretação da notícia veiculada pela grande imprensa na expressão popular", explica a presidente da Rede Folkcom - Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação, Betania Maciel, a terceira a falar.
O professor da Universidade Federal do Ceará Casemiro Neto chamou a atenção para a necessidade de mais estudos acerca da recepção do que é veiculado. "Audiência é muito diferente de recepção. O primeiro é quantitativo, o segundo, qualitativo". Hoje, último dia de Regiocom, a discussão parte da seguinte pergunta: Regionalização Midiática e política: que processos interessam ao controle social?
FIQUE POR DENTRO
Um dos sites criados por grupo indígena mexicano: www.xiranhua.com.mx
www.prex.ufc.br/regiocom
E-mais
DESIGUALDADES REGIONAIS
- O XII Colóquio de Comunicação para o Desenvolvimento Regional traz como tema a Comunicação e as Desigualdades Regionais.
- Começou na quinta-feira e termina hoje.
- A realização é da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a Unesco.
- Hoje, às 8h30min, o painel "Regionalização midiática e política: que processos interessam ao controle social?", traz o espanhol Manuel Chaparro Escudero; Anamaria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo; Maria Érika de Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; e Márcia Vidal, da UFC.
- O evento acontece na Faculdade 7 de Setembro (FA7), rua Alm. Maximiniano da Fonseca, 1395.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
- 11:57Cid Gomes enfrenta protesto na Uece
- 01:35Mil e uma razões
- 16:57 Sarney diz a Lula que não pedirá licença ou renunciará ao cargo
- 00:27Cid Gomes vive manhã de protesto, suor e bandejão
- 16:21Arthur Virgílio diz que Lula é refém de PMDB para governar
- 18:07Desabamento de arquibancada será motivo de inquérito policial
Indique esta notícia









