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Justiça libera acusados de fraudar concursos

Justiça mandou soltar estudantes acusados de fraudar concursos de vestibulares em sete estados. Os cinco estudantes cearenses estavam recolhidos em dois presídios. A mãe do líder do grupo no Ceará também foi beneficiada com o pedido de revogação da prisão preventiva. Três pessoas ainda continuam presas


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19/05/2007 15:43

Documentos apreendidos pela Polícia Federal com a quadrilha de fraudadores (Foto: Mauri Melo)
Documentos apreendidos pela Polícia Federal com a quadrilha de fraudadores (Foto: Mauri Melo)


Cinco estudantes acusados de integrarem uma quadrilha que fraudava concursos de vestibulares foram soltos, ontem, após a Justiça acatar o pedido de revogação da prisão preventiva de todos os implicados na Operação Vaga Certa, que exerciam a função de "piloto". Segundo o inquérito na Polícia Federal, os "pilotos" assumiram a identidade de candidatos, em concursos de vestibulares, como forma de garantir aprovações em cursos de Medicina, em faculdades públicas e privadas. Além dos estudantes, a mulher apontada pela PF como a contabilista da quadrilha também foi solta.

Aline Saraiva Martins, 21, Mariza Bandeira de Araújo, 28, Pedro Hugo Bezerra Maia Filho, 25, Francisco do Nascimento Moura Neto, 24, e Jairo Pinto da Fonseca, 24, deixaram ontem as carceragens do Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) e do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa. Para o advogado Cláudio Queiroz, que representa um dos estudantes, as prisões tiveram como base indícios, e não provas, e a reclusão ao presídio foi um abuso. A mãe do advogado Olavo Vieira de Macedo, Maria de Fátima Viera, 50, acusada de administrar a contabilidade da quadrilha de fraudadores, também foi beneficiada pelo recurso. Somente Olavo Macedo, 27, tido como o líder do grupo no Ceará, e o casal carioca Amélio Cedaro, 60, e Neide Alvarenga Cedaro, 55, continuam presos.

A Operação Vaga Certa foi deflagrada pela PF, no fim de abril, para combater um esquema de venda de vagas em universidades públicas e particulares nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná. As vagas eram vendidas ao preço de R$ 25 mil a R$ 70 mil.

Os mandados de prisão dos acusados foram expedidos pela Justiça, com base nas gravações telefônicas realizadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ). Em uma das gravações, o chefe do esquema no Ceará, Olavo Vieira de Macedo, lamentou o acidente automobilístico que deixou paraplégico o estudante Francisco do Nascimento Moura Neto, que iria assumir a identidade de um candidato à vaga no curso de Medicina, no vestibular da Faculdade de Barbalha, no Cariri. Três outros "pilotos" também teriam sofrido ferimentos. Em depoimento na Polícia Federal, o estudante negou que teria ido ao Cariri para fraudar o vestibular. Disse que estaria de férias e que passaria o natal na região, juntamente com os colegas.

Em uma outra gravação, a estudante Aline Saraiva Martins queria saber de Olavo Vieira de Macedo se haveria "risco na faculdade". O homem apontado como líder do grupo no Ceará responde que não, pois o pai da candidata seria uma pessoa influente e teria eliminado qualquer risco de ela ser apanhada em flagrante. As gravações telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram ainda que a quadrilha muitas vezes negociou as vagas com os próprios pais dos candidatos.


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