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Fortaleza

ROUBO DE CELULAR

Exame de parafina dá resultado positivo

Polícia diz que assaltante matou estudante por prepotência. Elaine Franklin se negou a entregar um aparelho celular a Antônio Juciê, mesmo com uma arma na testa. O aparelho foi um presente de sua mãe e um desejo de consumo


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12/05/2007 14:54

Prepotência e frieza marcaram a morte da estudante Elaine Franklin de Amorim, 21, que foi alvejada com um tiro na testa, na noite da última terça-feira, no Montese, após se recusar a entregar para o assaltante um celular que havia ganho de sua mãe há poucos dias. A conclusão é da titular do 5º Distrito Policial (Parangaba), delegada Ana Lúcia Moreira de Almeida, que interrogou o acusado Antônio Juciê de Araújo Sousa, 18, após a sua prisão, três dias depois do crime. A princípio, Antônio Juciê assegurou que sequer teria feito uso de arma de fogo. Mas o resultado do exame residuográfico (que aponta resíduos de pólvora nos dedos da pessoa que fez uso recente de arma de fogo), realizado pelo Instituto de Criminalística, deu positivo.

Mas o que mais provocou perplexidade na delegada e no comandante da área, major Jaime Pessoa (7ª Companhia do 5º Batalhão), foi o depoimento da irmã da vítima. A adolescente de 16 anos contou que a irmã estava mostrando para ela e para uma amiga o celular que havia ganho da mãe, quando o assaltante encostou em uma bicicleta, colocou o revólver na testa da vítima e exigiu o celular. Segundo o depoimento da irmã de Elaine Amorim, a vítima se negou a entregar o aparelho, pois seria um desejo de consumo esperado há tempo.

De acordo com a adolescente, o assaltante avisou que a mataria, caso ela continuasse a negar a entrega do celular. Nesse momento, segundo a adolescente, ela puxou do bolso um aparelho idêntico ao da irmã e o ofereceu ao assaltante. Para surpresa dela e da amiga, Antônio Juciê recusou a oferta e teria dito: "eu quero é o celular dela (Elaine Franklin), não o seu"!

Diante do clima tenso e da irredutibilidade da vítima em não entregar o celular, a própria amiga também ofereceu o seu aparelho celular para o assaltante. Seriam dois aparelhos por um, sendo que um deles seria idêntico ao de Elaine. Segundo a jovem, o acusado voltou a recusar a oferta e deu um último aviso à vítima. Elaine Amorim então teria persistido: "o meu celular eu não dou. Minha mãe acabou de comprá-lo para mim". Conforme o depoimento da adolescente, o assaltante efetuou o disparo e colheu o celular da mão da vítima, que morreu de imediato.

O comandante da 7ª Companhia do 5º Batalhão disse que ficou estarrecido quando descobriu que o autor do latrocínio (roubo seguido de morte) mora a 300 metros da residência da vítima. As duas casas são separadas praticamente apenas por um canal. "As duas testemunhas chegaram a contar que já haviam visto o acusado pelo bairro, em outras oportunidades. Acredito que ele achou que não seria reconhecido, pois teria chegado do Interior (Coreaú) há somente dois meses", afirmou o major Jaime Pessoa.

Em declaração à Polícia, a mãe da vítima chorou ao lembrar que a dor da perda da filha será maior todas as vezes que terá que pagar as prestações do celular, pois o aparelho era o desejo de consumo de Elaine Franklin. (Nicolau Araújo)


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