Árvores antigas localizadas no Centro de Fortaleza estão sendo catalogadas e deverão ser encaminhadas para processo de tombamento. O baobá, que fica na praça do Passeio Público, será uma das tombadas
12/05/2007 01:38
Ela tem 39 metros de altura e chama atenção de quem entra na Praça do Passeio Público, no Centro de Fortaleza, por ser frondosa. Apesar de ser antiga, está em plena "forma". Trata-se do baobá, árvore histórica, de origem africana, que será uma das 100 tombadas pelo Município. O processo de inventário das árvores antigas da área central foi iniciado ontem pela Secretaria do Meio Ambiente e do Controle Urbano do Município (Semam). A prioridade será para os logradouros públicos, praças, ruas e avenidas dessa região, mas depois, o levantamento deverá ser estendido para outras áreas da cidade.
Cada árvore receberá um registro, onde vai contar informações como o local, nome científico e popular, diâmetros do tronco e da copa, altura estimada em metro, avaliação fitossanitário, estimativa de idade, condições de tratamento e manutenção e outros. Ontem, uma equipe formada por biólogo, agrônomo iniciou o trabalho com a identificação no Passeio Público.
Segundo o agrônomo da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), Valdelício de Souza Pontes, existem 120 árvores de aproximadamente 26 espécies nativas e exóticas no local. Entre elas, pau d´arco, cedro, oiticica, fícus-benjamim, cajueiro. O trabalho exige paciência, pois é minucioso. Munidos de fita métrica, GPS (instrumento usado para localizar a posição geográfica da árvore), eles checaram várias árvores do local. O vendedor Raimundo Haroldo da Silva, 50, não entendeu bem o que estava ocorrendo, mas observa que sempre que vai à Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, gosta de passar pela praça. "A que chama mais minha atenção é essa grande", revela, referindo-se ao baobá.
Valdelício Pontes diz que identificar as árvores é importante porque ajudará também nas ações para ampliar as áreas verdes. Segundo ele, Fortaleza tem quatro metros quadrados por habitante de área verde pública, quando o mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 12 m. "Precisamos melhorar muito".
O gerente da Célula de Desenvolvimento do Meio Ambiente da Semam, João Saraiva, observa que do ponto de vista do poder público esse é o primeiro inventário das árvores antigas de Fortaleza para fins de tombamento. Ele acrescenta que o baobá já está certo, por significar muito para a história da cidade. Saraiva observa que o processo tornando as árvores como patrimônio público, e conseqüentemente, protegidas contra o corte, será respaldado por decreto da prefeita Luizianne Lins.
Segundo Saraiva, a identificação é o primeiro passo para o Plano Diretor de Arborização, iniciativa já realizada em outras capitais brasileiras como Rio de Janeiro, Curitiba. "Queremos saber as espécies mais comum na cidade, onde tem mais área verde ou não.". Ele ressalta que, a partir do inventário, será possível traçar diretrizes de planejamento, produção, implantação de mudas, conservação e administração das áreas verdes. Além das praças, serão catalogadas as árvores de ruas e avenidas do Centro como Duque de Caxias, Dom Manuel, Padre Ibiapina. Francisco Barbosa, da equipe de licenciamento ambiental da Semam, observa que das 120 plantadas no Passeio Público, serão escolhidas 10 representantes para análise do tombamento.
Serviço:
A população pode fazer sugestões de árvores para análise de tombamento pelo telefone (85)3452.6919 ou 3452.6910
OS NÚMEROS
100
É o número estimado de árvores antigas localizadas no Centro de Fortaleza que deverão ser encaminhadas para o processo de tombamento
120
É o total de árvores plantadas na Praça do Passeio Público
39 metros é altura estimada da baobá que existe na Praça do Passeio Público
SAIBA MAIS
-O inventário das árvores antigas será realizado em praças públicas, ruas e avenidas da área central de Fortaleza
-O levantamento está previsto para ser concluído em 12 meses, mas nada impede que o processo de tombamento seja iniciado
-Cada árvore terá um cadastro, com número de registro, descrição do local, identificação com os nomes popular e científico da espécie, diâmetros do tronco e da copa, altura estima em metros, avaliação da idade, sinais de podas, condições de tratamento, se há sinais de fungos e outros
Fonte: Semam
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