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OPERAÇÃO VAGA ABERTA

PF revela nomes de alunos suspeitos

A Polícia Federal liberou a relação dos nomes de 50 pessoas que teriam se beneficiado de um esquema de fraude na obtenção de vagas em universidades públicas e privadas

Ricardo Moura
da Redação

11 Mai 2007 - 01h45min

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A ação da quadrilha acusada de ser especializada em fraudes em vestibulares de oito estados brasileiros ganhou novos contornos com a divulgação feita pela Polícia Federal dos nomes de 50 pessoas que teriam pago para conseguir uma vaga em faculdades públicas e privadas. Segundo a assessoria de imprensa da PF no Rio de Janeiro, essa é uma lista preliminar e novos nomes ainda poderão ser incluídos. Eles deverão ser ouvidos pelo delegado federal Lorenzo Martins nos próximos dias e poderão ser indiciados por estelionato. O material será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro.

As informações foram obtidas por meio dos depoimentos prestados pelos acusados, transcrições de conversas telefônicas e por anotações feitas pelo advogado e estudante de Medicina, Olavo Vieira de Macedo, em cadernos apreendidos durante a Operação Vaga Certa, da Polícia Federal. Olavo de Macedo, apontado como líder do esquema criminoso, aparece relacionado à obtenção de vaga em três universidades: a Universidade Estadual de Feira de Santana (Ufes), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Fortaleza (Unifor), no curso de Odontologia. Segundo a assessoria de imprensa da Unifor, o advogado é aluno apenas do curso de Medicina da universidade.

Anélio Cedaro e Neide Alvarenga Cedaro - presos na operação sob a acusação de atuarem como a extensão da quadrilha no Rio, seja procurando familiares de candidatos ou falsificando documentos - também aparecem na lista divulgada pela PF. Dois filhos do casal teriam obtido uma vaga no curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá (RJ) em 2005 graças à utilização de pilotos (integrantes da quadrilha que faziam a prova pelos candidatos que pagavam o esquema) que trabalhavam no esquema dos próprios pais.

Três novas pessoas foram identificadas pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha. Eles atendem pelos nomes de Claudenir, que seria o contador do grupo, Geraldo e Ricardo. Os dois últimos seriam responsáveis pelos contatos com a família dos candidatos.

A Universidade Gama Filho (RJ) é a que possui o maior número de procura por vagas: 23. Na seqüência, vem a Fundação Cesgranrio, com 12 indicações. O curso de Medicina é o mais procurado pelos alunos. Apenas Olavo de Macedo teria tentado conseguir uma vaga em outro curso. Além da Gama Filho e da Cesgranrio, a PF lista ainda as seguintes instituições de ensino superior: Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade Evangélica do Paraná, União de Educação e Cultura Gildásio Amado, Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc)e Universidade do Vale do Itajaí (Univali/BA).


OPERAÇÃO VAGA CERTA

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

Os aliciadores identificavam possíveis interessados em pagar por uma vaga em universidades públicas e privadas do País. O serviço era oferecido por telefone

No Ceará, eram identificados e alistados jovens universitários “brilhantes”, que realizavam as provas: os chamados “pilotos’’

Apontado como o responsável pelo alistamento de “pilotos” no Ceará, Olavo Vieira de Macedo falsificava documentos e fazia a partilha do dinheiro pago. No Rio de Janeiro e outros estados, o casal Neide Alvarenga Cedaro e Anélio Cedaro se encarregavam de conseguir em cursinhos, por exemplo os interessados no serviço.

Além de realizar a prova, os “pilotos” tinham de fazer um relatório completo sobre o vestibular, fornecendo detalhes do local onde sentaram, a cor do teste e o tema da redação, para deixar o candidato informado em caso de suspeição

É possível que ao menos 50 vagas tenham sido compradas dessa forma, em universidades de Minas Gerais, Paraná, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. As instituições não sabiam do esquema

O esquema funcionava desde 2002


QUANTO CUSTAVA A VAGA

De R$ 15 mil a R$ 70 mil, variando segundo a dificuldade da seleção. A mais cara vendida pela quadrilha foi uma de medicina na UFC.

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