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Fortaleza

GALPÕES ABANDONADOS

Corredor cultural não saiu do papel

Os galpões do entorno do Dragão do Mar seriam uma extensão do centro cultural. Hoje, o tão sonhado corredor cultural parece cada vez mais distante de se tornar realidade

Mariana Toniatti
da Redação

28 Abr 2007 - 14h12min

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DEZENOVE IMÓVEIS em quatro quarteirãos no entorno do Dragão do Mar estão fechados e espigões começam a aparecer  entre os galpões(Foto: LIA DE PAULA)
Vizinho ao Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, entre as avenidas Monsenhor Tabosa e Historiador Raimundo Girão, no limite com a Almirante Jaceguai, galpões da primeira área portuária da cidade, construídos no início do século XX, resistem ao tempo e ao descaso. Quando o Dragão do Mar ainda era um projeto, a idéia era que o espaço fosse um corredor cultural. Os galpões seriam uma extensão do centro, abrigando ateliês, galerias, sebos e atividades afins. Hoje estão destelhados, as paredes comidas pela umidade, os janelões emparedados com tijolos. Nas ruas Dragão do Mar e José Avelino, o meio-fio está quebrado e o mato cresce. No lugar dos ateliês, estacionamentos, lavanderias e marcenarias ocupam um ou outro galpão. A maioria está abandonada. São 19 imóveis fechados em quatro quarteirões.

Espigões começam a despontar entre os galpões. Um está lá há quase cinco anos, outro espera o acabamento para ficar pronto e na esquina da rua Dragão do Mar, cinco casarões serão derrubados para a construção de um arranha-céu. A Lei de Uso e Ocupação do Solo permite a construção de prédios até 48 metros na área, o que equivale a 15 andares. O Plano Diretor, que ainda espera aprovação na Câmara Municipal, propõe diminuir o gabarito para 24 metros, tamanho de um prédio de oito andares. "A idéia é reduzir o interesse na área e deslocar a especulação e a pressão por adensamento para áreas mais adeqüadas, com infra-estrutura", diz a arquiteta Beatriz Rufino da Secretaria Municipal do Planejamento e Orçamento.

Somente com a aprovação do projeto seria possível estudar uma legislação que resguardasse definitivamente os galpões do entorno do Dragão. As chamadas zonas especiais de preservação do patrimônio paisagístico, histórico, cultural e arqueológico podem ser definidas no prazo de um ano, contando a partir da data de aprovação do Plano Diretor. O tombamento dos galpões, sugestão antiga de artistas e arquitetos, vai ficando inviável com o passar do tempo. "Os edifícios se deterioram, recebem intervenções indevidas", lamenta Romeu Duarte superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Ceará.

Além da alteração da morfologia original, há outros entraves. "Os proprietários têm reservas porque o direito de fazer o que quiserem com os imóveis fica cerceado. Falta mobilização da população para sustentar o tombamento", diz Beatriz. Por enquanto, o que protege o entorno da especulação imobiliária é a configuração dos lotes da área, estreitos e compridos. "Característica de zonas de ampliação do Centro", diz o gerente da Célula de Planejamento Urbano da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura, Prisco Bezerra. "Para conseguir um terreno grande o suficiente para a construção de um prédio, o investidor precisa comprar muitos lotes", explica. A desapropriação dos prédios pelo Governo do Estado, hipótese considerada nos primórdios do Dragão, também perdeu força.

"O Estado não pode ser paternalista e não tem recurso", afirma o secretário da cultura do Estado, Auto Filho. Para ele, a solução está no Plano Diretor. "Temos que ter políticas públicas consignadas no Plano Diretor, se tivéssemos isso na época da construção do Dragão, não precisava o Estado desapropriar". O projeto Quarteirão das Artes, parte do plano inicial de instalação do centro cultural, chegou a inventariar os galpões para a desapropriação. O processo custaria R$ 12 milhões. "Na época o Governo disse que não tinha verba", lembra Paulo Linhares, secretário da cultura no período.


"Os proprietários têm reservas porque o direito de fazer o que quiserem com os imóveis fica cerceado. Falta mobilização da população para sustentar o tombamento", arquiteta Beatriz Rufino da Secretaria do Planejamento e Orçamento.


SAIBA MAIS

Os galpões do entorno do Dragão do Mar estão dentro da Área de Interesse Urbanístico da Praia de Iracema, dividida em três setores.

Setor 1
- Setor 1.1: Da avenida Pessoa Anta em direção ao mar, abarca o prédio da Alfândega, em processo de tombamento instaurado pelo Estado, e o Poço da Draga. É considerada área de revitalização urbana com incentivo à habitação, cultura, lazer e hotelaria. Gabarito de 48 metros.

- Setor 1.2: Abrange o Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar e a área dos galpões. Atualmente tem gabarito de 48 metros, mas o Plano Diretor propõe baixar para 24 metros.

- Setor 2: Área da orla da Praia de Iracema, vai do Largo Luís Assumpção à Ponte dos Ingleses. Nessa região, os edifícios conservam a arquitetura original, por isso, é área de preservação urbana. Gabarito de 10,50 metros, equivalente a dois pavimentos.

- Setor 3: parte do calçadão da Praia de Iracema que encosta no bairro Meireles, da rua Arariús à Ildefonso Albano. Gabarito de 72 metros, área de adensamento.

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