Fortaleza
TIANGUÁ
Polícia liberta 20 meninas exploradas sexualmente
Garotas entre 12 e 14 anos eram exploradas sexualmente em um sítio próximo à Tianguá. Pelo menos 20 garotas recebiam entre R$ 10,00 e R$ 15,00 para fazerem programas com clientes. Algumas vezes, o pagamento era feito com bebidas alcoólicas. As meninas eram aliciadas em Tianguá e em outras cidades do Interior para trabalharem o fim de semana no local
Marcos Cavalcante
da Redação
05 Abr 2007 - 02h01min
Uma denúncia anônima levou a Polícia a descobrir um sítio, localizado próximo ao município de Tianguá (314 quilômetros de Fortaleza), onde pelo menos 20 meninas eram exploradas sexualmente. De acordo com a coordenadora do Escritório de Repressão ao Tráfico de Seres Humanos (TSH), Eline Marques, as garotas eram escolhidas a dedo pelos freqüentadores do sítio, que fica às margens da CE-187. "Elas ficavam sentadas em um grande banco. Os homens chegavam, escolhiam e levavam elas para os quartos. Algumas pessoas vinham de Fortaleza somente para saírem com as garotas", relata Eline.
A cafetina do local cobrava entre R$ 10,00 e R$ 15,00 o programa com as garotas. Mas algumas vezes, as meninas não recebiam qualquer quantia. "Nos depoimentos, elas diziam que recebiam apenas bebidas alcoólicas para poder sair com os caras", destaca Eline. As garotas foram aliciadas em Tianguá e outros municípios da região. Segundo a coordenadora do TSH, muitos pais e parentes foram depor contra a proprietária do local. "Os pais e parentes não conseguiam mais controlar as meninas. Muitas fugiam de madrugada, no fim de semana, e iam para o sítio. Parece que o local já funcionava há um bom tempo", revela.
Durante a operação, que ocorreu na madrugada de sexta-feira, 30, para sábado e envolveu o TSH e outros membros do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), como polícias Civil, Militar e Federal, três pessoas foram presas no local. Uma mulher, responsável pelo gerenciamento do bordel, e dois clientes. Os nomes não puderam ser revelados, pois eles ainda estão sendo investigados. "Os dois homens estavam nos quartos com as garotas na hora que chegamos", destaca Eline. A promotoria de Tianguá informou que vai apurar o caso e dar apoio no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes na cidade.
De acordo com o titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), Marcos Cals, onde funciona atualmente o TSH, a exploração sexual é um problema que precisa ser combatido com a união de várias forças. "Quando você consegue integrar vários setores, como faz o gabinete de gestão integrada, se consegue uma maior resultabilidade", explica Cals. Além do Ceará, somente o Escritório de Repressão ao Tráfico de Seres Humanos de São Paulo está em funcionamento. "A Sejus também pretende discutir com outras secretarias formas de atacar o problema da exploração sexual de adolescentes", completa.
Segundo o secretário, outras ações do GGI serão feitas no Interior, visando não somente o combate à exploração sexual, mas a outros tipos de crimes. "Não podemos revelar o local em que vamos atuar, pois poderia comprometer as investigações", explica. O GGI tem como finalidade integrar o sistema de segurança pública estadual, em torno de ações integradas. "Devemos nos lembrar que a sociedade civil, que detém as informações, também possa fazer sua parte, denunciando onde ocorrem os crimes", completa Cals.
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