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Fortaleza

LANCHE NA CANTINA

Escola deve ser aliada no combate à obesidade

Fátima Guimarães
da Redação

O combate à obesidade infantil ganha um novo aliado com o projeto de lei do senador Paulo Paim que dispõe sobre proibição de alimentos de alto teor calórico e baixo valor nutritivo nas cantinas escolares


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31/03/2007 03:38

NAS CANTINAS das escolas particulares, frituras e refrigerantes são opções mais escolhidas (Foto: Mauri Melo)
NAS CANTINAS das escolas particulares, frituras e refrigerantes são opções mais escolhidas (Foto: Mauri Melo)

Salgados, fatia de pizza, batata frita, cachorro-quente, salgadinhos industrializados, biscoitos recheados. Para beber, refrigerante. Esses alimentos ricos em gorduras e de baixo valor nutritivo, vendidos nas cantinas escolares, são os mais pedidos na hora do recreio. Essa é a preocupação que motivou o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS). A proposta da merenda escolar saudável, já aprovada no Senado, reforça a preocupação dos especialistas no que se refere ao combate à obesidade infantil como forma de prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão.

Que a saúde e a nutrição caminham juntas é consenso. Mas na prática, não é fácil fazer com que crianças e adolescentes substituam as guloseimas por alimentos saudáveis. Em Fortaleza, escolas particulares e públicas estão atentas ao problema dos lanches calóricos e tentam reverter essa situação com iniciativas que estimulam a alimentação saudável.

Déborah Costa, supervisora do ensino fundamental I (2º a 5º série) de um colégio particular, observa que o programa vida saudável, realizado com esse segmento, orienta para a boa alimentação aliada à atividade física na escola. Segundo ela, tem obtido bons resultados. "As crianças trazem a fruta preferida, fazemos sucos, saladas". Nesse dia, a cantina também se programa para ofertar mais opções saudáveis.

Consolação Aquino, responsável por uma cantina escolar, diz que oferece salgados, refrigerante, mas também sucos, sanduíches natural, salada de frutas. Para ela, em caso de uma lei, acha que o correto seria deixar as cantinas com as duas opções.

Celeste Alexandre, diretora de uma escola particular, observa que o cardápio é elaborado por uma nutricionista, de acordo com a faixa etária do aluno. O colégio, que atende crianças do berçário ao 5º ano, não tem cantina. Os pais têm conhecimento do programa de educação alimentar no ato da matrícula e sabem que não podem mandar lanche de casa. O valor do lanche está embutido na mensalidade. Na rede de ensino público a merenda segue um cardápio variado que inclui frango, carne, ovo, arroz, feijão, macarrão, mas não agrada a todos os alunos. A exemplo dos estudantes da escola particular, há quem prefira os biscoitos recheados, salgados fritos trazidos de casa ou adquiridos antes do início da aula em lanchonetes próximas às escolas. A vice-diretora de uma escola municipal, Rosane Costa, ressalta que os pais já foram chamados atenção e conscientizados de que a merenda fornecida é nutritiva.

Entre os estudantes não há dúvida sobre o que é o lanche ideal. O problema seria resistir ao apelo que os fast food têm. Felipe Teixeira, 12, aluno do 8º ano de uma escola particular, garante que em casa come frutas e bebe sucos naturais, mas esquece a lição na escola. "Sei que é prejudicial, mas é muito gostoso". Ana Beatriz Freire Furtado, 13, observa que o colégio vem trabalhando sobre hábitos alimentares saudáveis, em casa só bebe refrigerante no fim de semana, preocupa-se com a diabetes, obesidade, mas admite que seu lanche segue o cardápio dos demais: salgado e refrigerante. "É uma tentação, até penso em comer uma salada de frutas, mas quando vejo salgado, mudo de idéia". (Colaborou Gabriela Alves, especial para O POVO)>

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