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Jovens descobrem a arte da restauração

Os 51 jovens formados como agentes patrimoniais e auxiliares de restauração pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho deixaram sua marca em três grandes obras de restauro e descobriram uma paixão

Mariana Toniatti
da Redação

17 Mar 2007 - 15h16min

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Os olhos de Vladimir Lima, 22, se encheram d'água quando a coordenadora entregou a rosa branca, lembrança do último dia de aula na Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho. "Queria que durasse mais uns três anos". Como Vladimir, outros 50 jovens encerraram as aulas práticas do curso de agente patrimonial e artífice auxiliar de restauração. Depois das aulas teóricas sobre Patrimônio, História e Arte, os aprendizes escolheram entre três modalidades para se especializar: alvenaria (trabalho dos pedreiros que em obras de restauro têm que se esmerar nos detalhes da fachada), marcenaria e pintura.

Hoje os alunos formados podem dar continuidade à profissionalização como restauradores ou aproveitar outras oportunidades no mercado da construção civil. "Eles podem trabalhar como marceneiros, moveleiros ou com alvenaria artística numa proposição mais contemporânea", diz Juliana Marinho, coordenadora do curso. Atualmente, três obras de restauro estão em curso: no Sobrado José Lourenço, que vai abrigar o Museu da Antropologia; no futuro Museu da Indústria, prédio comprado pela Companhia Energética do Ceará (Coelce) em frente ao Passeio Público, palco da Casa Cor 2007; e na primeira sede do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), onde funcionará o Museu das Secas.

Os alunos do curso participaram de todas elas. "Trabalharam em tudo. Nos detalhes, na estrutura do piso e do forro. Fizeram diferença mesmo", diz Antônio Luiz Sousa, dono da empresa que executa as três obras em andamento. Com a finalização desses restauros o mercado tende a se estagnar mais uma vez, daí a importância de abrir o leque. "A gente sabe que é difícil. Não é toda hora que tem obras desse porte", diz realista Jocélia da Silva, 20, enquanto vai pacientemente decapando uma bandeirola. Com a espátula, delicadamente, ela raspa as camadas de tinta para descobrir emendas na madeira e preparar o enfeite da porta para o conserto.

"Gostava de História e de Arte antes do curso. Hoje tenho certeza de que quero trabalhar com isso, talvez não necessariamente como marceneira", diz. Vladimir, o menino que se emocionou na hora da despedida, sempre gostou de marcenaria e agora tem certeza de que essa é sua profissão. "Tinha amigos que trabalhavam com isso e é o que quero fazer, mesmo se não der pra ser num casarão como esse". O casarão é o Sobrado José Lourenço que ganhou vida e cores com a ajuda dos meninos restauradores. "O que mais me orgulha é estar onde estou. No começo achei que era só coisa miúda, pouquinha, não pensei que fosse construção mesmo", diz Michele da Silva, 22, finalizando o forro do teto num dos corredores do sobrado.

Com outros colegas, ela começa a pensar na formação de uma cooperativa de restauradores. "Vamos conversar mais sobre isso e dar todo apoio para que eles sejam empreendedores", diz a coordenadora Juliana. Todo mundo faz planos. "Muda mesmo a nossa vida. Sem demagogia. Se você visse o cuidado que temos na hora de desmontar uma parede, por exemplo. Ninguém quer quebrar nenhum tijolo. Tem que sair tudo inteiro", diz Carlos Alberto Rodrigues, 24, que já trabalhava na construção civil antes do curso. Ele é um dos treze aprendizes contratados por Antônio, o dono da empresa de restauração. "Para mim é uma alegria ver uma nova geração se formar", diz.

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