09/03/2007 01:23

Maria do Livramento pesca desde os sete anos e vive da atividade, com o marido, para sustentar os seis filhos. “Mentinha”, como é conhecida a pescadora de 46 anos, é das que reclamaram ontem os direitos das mulheres. Um rosto no meio de homens e mulheres representantes de cerca de 50 entidades de Fortaleza e do Interior que participaram ontem de ato público, na Barra do Ceará, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
O bairro foi o local escolhido pelo Fórum Cearense de Mulheres para a marcha em protesto ao modelo de desenvolvimento que vem sendo implantado no Estado. Modelo que, para Socorro Lima, militante do Movimento dos Sem Terra (MST) - Via Campesina, é “excludente e predatório”. Socorro destacou que as mulheres são responsáveis por 70% da produção de alimentos no Estado e não usufruem da importância da atividade que desempenham.
A agressão ao meio ambiente também preocupa pescadora Maria do Livramento, que há quatro anos faz parte do Movimento de Mulheres Pescadoras do Ceará, que atua no litoral Leste e Oeste. Segundo ela, as mulheres marisqueiras sofrem com a falta de proteção e incentivo: “A carcinicultura destrói os manguezais e a pesca industrial não deixa pescado bom”.
Ao fim da caminhada, as pessoas se concentraram em frente à casa da dona Íris do Nascimento, moradora há 23 anos da Barra do Ceará, que foi homenageada durante o ato público, como símbolo de resistência ao modelo de desenvolvimento criticado pelos manifestantes. Dona Íris impediu que sua casa fosse demolida para a construção do trecho da avenida que cruzaria os bairros Barra do Ceará, Cristo Redentor e Pirambu, dentro do projeto Costa Oeste.
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