02/03/2007 02:02

"Mãe! O que foi aquilo ali?", pergunta a menina, ao passar pela avenida Abolição e se espantar com o buraco gigante que foi aberto em conseqüência da forte chuva da última quarta-feira, 28. A mãe responde de forma simples: "Foi a chuva". A menina quase não acredita. "Eita!", diz de forma bem demorada.
De acordo com Daniel Joca, técnico da Defesa Civil da Secretaria Regional II (SER II), o processo de recuperação da área começou com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), que restaurou o cano exposto depois que o asfalto cedeu. Pela manhã, o prazo para liberação da pista da avenida Abolição era neste sábado, mas no início da noite, a assessoria de imprensa da SER II informou ao O POVO que foi descoberta uma rachadura na laje no fundo do bueiro que fica na área e só depois dela ser consertada, será feito o aterro, a contenção de concreto e o asfaltamento da via.
Segundo a SER II, todo o trabalho de recuperação deverá ser concluído até o fim de março, mas o órgão não define novo prazo para a liberação da avenida Abolição, já que novas chuvas podem atrasar as obras.
Na comunidade do riacho Maceió, ainda era visível as marcas da chuva. Paredes encharcadas e móveis expostos. Os moradores se uniam para limpar toda a sujeira deixada pelo acúmulo de água. "Desde ontem que a gente só trabalha pra fazer as coisas voltarem ao normal", relata a doméstica Luciana da Silva. "Acho que vou desistir de morar aqui. Já perdi coisa demais", completa.
O garçom Aloísio Cabral, 36, que mora na área desde que nasceu, conta que já está acostumado com a água. "O problema é que ontem (quarta) veio areia junto com a água porque o asfalto cedeu. Aí foi surpresa. Desde ontem estamos limpando para tirar a lama".
Ele teme outra chuva forte antes do fim das obras para fechar a cratera na avenida Abolição. "Aí vai ser feio. E o pessoal da Prefeitura disse que ia vir aqui. Ainda bem que a gente não esperou e decidiu ajeitar tudo sozinho. Eles nunca aparecem mesmo".
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