Mariana Toniatti
da Redação
Assim como as escolas de samba, os blocos de Carnaval têm bateria, fantasias caprichadas e até carros alegóricos. A diferença é no tamanho do desfile e do orçamento
07/02/2007 01:00

"O bloco de Carnaval de rua é uma miniescola de samba", define Waldemir Lima, fundador do bloco Fuxico do Mexe-Mexe, há 23 carnavais na avenida. Na prática, é isso mesmo. As diferenças estão na proporção da festa e dos investimentos, menores no caso dos blocos. Eles não têm porta-bandeira e mestre-sala nem comissão de frente, ao invés disso, um estandarte abre o desfile. Blocos maiores podem até exibir carros alegóricos. O Fuxico sai com três neste ano, mas as escolas de samba têm que ter pelo menos seis.
Não é difícil ouvir histórias de blocos que viraram escolas de samba, nem que tenha sido somente por um ano, caso do bloco Garotos de Benfica, 3º lugar como escola de samba em 2004. O inverso também é comum. Quando o bolso aperta, muitas vezes o jeito é voltar a ser bloco. O Unidos da Vila nasceu como bloco em 1971, foi promovido a escola de samba por 20 anos e há dez voltou a ser bloco, sem perder a majestade. Em 2006, ficou entre as dez agremiações campeãs.
Para esse Carnaval, mistura samba com quadrilha e leva para a avenida o enredo Festejos Juninos. O bloco, que vem ensaiando desde dezembro, tem 75 componentes na bateria e outros 350 brincantes. Todos ganham sua fantasia, regra também nos outros blocos. O dinheiro vem da Prefeitura, R$ 10 mil para cada bloco. Os recursos chegaram na última semana. Se o orçamento extrapolar o valor, e geralmente isso acontece, o resto sai do bolso dos fundadores e diretores.
É muito difícil achar apoio na iniciativa privada. "Nunca esperamos a verba da Prefeitura para começar, se não o tempo não dá. A gente vai fazendo devagarzinho desde setembro, tirando uma pontinha do ordenado e fazendo bico", conta o presidente do bloco Garotos do Parque, Álvaro Azevedo, que para o Carnaval de 2007 investiu R$ 15 mil. O bloco começou com a charanga da torcida de um time de futebol de salão da Vila Pery e hoje tem 650 integrantes.
O samba-enredo é uma homenagem à prefeita Luizianne Lins e ao programa Fortaleza Bela. Além de dois carros alegóricos, um caminhão pequeno vai receber a sujeira recolhida na avenida pelos brincantes de uma das alas. Nem por isso Álvaro deixa de dar seu recado. "Eu queria que você botasse aí que a Prefeitura deve olhar mais para o Carnaval de rua, pra não deixar cair". Ninguém esconde a decepção com a demora do repasse dos recursos, mas o fato de ter uma verba pública garantida para o Carnaval é comemorado. "Ela dá condições de manter uma agremiação", diz Edilson Barros, do Garotos do Benfica. O discurso é endossado por todos os blocos.
O Fuxico do Mexe-Mexe, do mesmo grupo que durante o pré-carnaval vai às ruas com o bloco Cheiro, na Praia de Iracema, abriga 550 integrantes. "Quando o antigo Ispáia Brasa acabou, alguns dissidentes formaram a escola de samba Girassol. Em 1988, ela também fechou. Parte dos brincantes veio para o Fuxico", conta o presidente Waldemir.
O inchaço nas escolas teriam provocado sua ruína. Com mais de mil integrantes e distribuindo fantasias de graça, as mais de dez escolas que brilhavam no Carnaval de Fortaleza, ali pela décadas de 70 e 80, faliram. É a teoria de Waldemir. "No Rio de Janeiro, o brincante paga pela fantasia e ainda tem os bicheiros para bancar. Aqui somos todos bichados. Só não desistimos porque é como aquele que bebe, é um vício", brinca. Nesse ano, a Arte Circense, mais especificamente a vida do palhaço no circo, é o tema do desfile. Malabaristas, equilibristas e engolidores de fogo foram especialmente convidados.
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