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Fortaleza

SUPERLOTAÇÃO

Falta espaço, sobra confusão no calçadão da Beira Mar

Yanna Guimarães
da Redação

Os diversos públicos freqüentadores da avenida Beira Mar disputam o espaço do calçadão e da pista como podem. Apesar dos problemas, a paixão pelo local fala mais alto e os motivos para a escolha da Beira Mar para a prática de exercícios são vários. Segurança, gente bonita e encontro com os amigos


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25/01/2007 02:12

Caos. Essa é a melhor palavra para definir o cenário na avenida Beira Mar no fim da tarde e início da noite. Conforme o sol vai se pondo, o espaço no calçadão vai ficando menor e sendo disputado por turistas, vendedores ambulantes com mercadorias de todo tipo, pais passeando com seus bebês e agentes de turismo oferecendo pacotes de viagens. Além deles, há quem escolha a Beira Mar para caminhar ou correr, levar o cachorro para passear ou fazer compras na tradicional feirinha do local. E ainda procuram um lugar no calçadão, os patinadores, pedintes e artistas de rua.

Mas superlotação não pára por aí. Na pista, carrinhos de feirantes parados nas esquinas, ônibus estacionados em frente aos hotéis e a falta de estacionamento atrapalham o trânsito na avenida. Entre os veículos, buscam um lugarzinho os corredores e ciclistas, que têm de estar atentos para não esbarrar em nenhum retrovisor ou, na pior das hipóteses, ser pego por um carro. A razão dos coopistas preferir a pista é simples. Quem escolhe não se arriscar a correr na via, tem de ficar se desviando de todas as outras pessoas que também utilizam o calçadão, cada um com seu interesse. A turista Ceciane Lages, que veio de Teresina, confessa não ficar à vontade com os corredores. "Atrapalha o nosso passeio. A gente está passeando e de repente passa uma pessoa correndo. É um susto. Deveria ter um local próprio para eles".

E mesmo com todos esses problemas, muita gente ainda prefere fazer exercícios na avenida. O motivo da escolha, o empresário Marcelo Marinho explica. "Apesar de termos de correr na rua, aqui ainda tem segurança. E podemos ver gente bonita, encontrar amigos. É o local ideal, pena que está ficando pequeno". Marcelo, que mora no bairro Papicu, gosta tanto da Beira Mar que comprou um flat na avenida para diminuir os problemas de sua ida ao local. "Tudo mudou desde que comecei a correr aqui. Antes não haviam tantos vendedores e freqüentadores. Com o flat, eu não preciso perder tempo dando voltas e voltas na avenida procurando vaga de estacionamento. Facilita tudo".

O empresário conta que nunca teve problemas com acidentes, mas confessa que disputar espaço com os carros é uma tarefa difícil. "Tenho amigos que já sofreram acidentes. Mas não tem outro jeito, gosto de correr aqui". Mesmo com a paixão pela Beira Mar, ele relata que o local está precisando de várias mudanças. Uma delas é a construção de uma ciclovia, um espaço reservado para os ciclistas, patinadores e corredores. "Seria o ideal". Idéia aprovada também pela aposentada Lurdes Alcântara, que passeia com a cadela Shadow todas as manhãs no calçadão. "De manhã é muito mais tranqüilo. É outra Beira Mar". Disposta, ela sugere ainda uma mobilização dos usuários da avenida para deixá-la mais bonita. "É chegar com um escovão e água para limpar tudo. É um benefício para nós, que usamos o espaço".

Minoria no calçadão, o estudante Tiago Lopes patina quase todos os dias na Beira Mar. A maior dificuldade, segundo ele, é desviar as pessoas. "Eu treino aqui, por incrível que pareça ainda é o melhor lugar, mesmo a gente quase batendo nas pessoas". Ele destaca que, se houvesse uma ciclovia, tudo seria mais fácil. "Na pista não dá. Os motoristas não respeitam mais as pessoas como antigamente". Um taxista, que prefere não ser identificado, define a Beira Mar como um "mercado persa". "Estão tomando conta das calçadas. Vendem de tudo". Trabalhando há quatro anos no local, ele afirma que é preciso mais fiscalização de trânsito. "Policiamento tem. Mas os ônibus fazem o que querem e ninguém está lá para multar".


PRINCIPAIS PROBLEMAS

A CONCENTRAÇÃO de pessoas é intensa assim como a procura por vagas. Para não estacionar muito longe, alguns utilizam as vagas destinadas a deficientes físicos, o que é proibido por lei.


PARA FUGIR da grande quantidade de pessoas no calçadão, muitos corredores utilizam a via como pista de corrida. Os corredores precisam se desviar dos ciclistas e veículos.


O NÚMERO grande de vendedores ambulantes também congestiona o trânsito de pessoas no calçadão. Além da feirinha, muitas barracas e pedintes também disputam o espaço no calçadão.


OS TRENS infantis e ônibus que param em frente aos hotéis são algumas das causas do trânsito lento na avenida. Além disso, muitos motoristas não respeitam a faixa de pedestres.

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