Desde anteontem a população do bairro Rodolfo Teófilo tem notado a presença de peixes mortos na Lagoa de Porangabuçu. A preocupação é que haja outra mortandade grande dos animais, como ocorreu em março do ano passado
25/01/2007 02:12

Em menos de um ano após a morte de peixes na Lagoa do Porangabuçu, no Rodolfo Teófilo, o problema voltou a ocorrer. Embora a quantidade ainda não tenha sido levantada, é visível o grande número de animais mortos sob o espelho d'água. Segundo a população que mora próximo à área, os peixes começaram a aparecer sem vida há cerca de dois dias. Com o dano ambiental, a preocupação dos moradores da região é que a elevada mortandade se repita.
Habitantes do bairro, que preferiram não se identificar, reclamam que o mau cheiro é constante e o mato acumula muito lixo, que também é encontrado nas margens da lagoa. Alguns afirmam que é rara a presença de técnicos dos órgãos responsáveis pelo meio ambiente para a coleta de material da lagoa para estudos. "Só quando morre muito peixe", diz um. A agressão à natureza é caracterizada por outro morador como "um absurdo". E existem também os mais pessimistas: "Daqui a uns três dias, vai acontecer mais morte igual ao ano passado. Tudo de novo, tudo do mesmo jeito".
A quantidade de água da Lagoa do Porangabuçu é a mesma do ano passado, já que ainda não foi renovada porque não choveu o suficiente. É o que diz o chefe do Distrito de Meio Ambiente da Secretaria Executiva Regional (SER) III, Tarcísio Prata. Para ele, a causa maior da mortandade dos peixes são as ligações clandestinas dos prédios que não estão ainda interligados à rede da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
Ele explica que o material que é despejado na lagoa aumenta o teor de matéria orgânica na água. Isso contribui para a produção de algas, que consomem o oxigênio existente. À noite, quando ocorre a produção mais intensa de algas, é que há o "colapso de oxigênio". Tarcísio Prata diz que a identificação das pessoas cujos prédios não estão interligados à rede de esgoto está sendo feita pela Cagece.
Uma solução para o problema é o fechamento das ligações clandestinas de esgoto que chegam às galerias, que foram construídas para receber água da chuva. A obstrução da passagem do esgoto desses locais seria feita com armações de concreto. A previsão é de que até março essas galerias estejam livres das ligações clandestinas. Pelo menos, cinco delas chegam até a lagoa.
Segundo o gerente da Célula de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), Rômulo Costa, semanalmente, é feita análise biológica da água da lagoa e, a cada dois meses, é realizada a análise físico-química. A água não é adequada para o banho, dizem os estudos, e a poluição só pode ser resolvida com educação ambiental, afirma Rômulo Costa: "Não existe mágica. Só existe despoluição com saneamento básico".
Com a poluição, afirma, os índices de pH, a amônia e o oxigênio dissolvido aumentam, constituindo fatores que contribuem para a morte dos animais. Pelo fato de alguns desses elementos serem tóxicos, ele alerta que os peixes mortos na lagoa não devem ser consumidos.
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