1.126 famílias moradoras de área de risco mudarão de casa daqui a um ano. Os habitantes das comunidades da Lagoa da Zeza e da Vila Cazumba, no Tancredo Neves, terão uma nova moradia em um conjunto habitacional que será construído pela Prefeitura de Fortaleza
24/01/2007 01:37

A empolgação era grande. Foram aplausos, gritos de alegria e sorrisos quando a notícia foi dada: 1.126 famílias das comunidades da Vila Cazumba e da Lagoa da Zeza, no Tancredo Neves, serão transferidas da área de risco onde moram para um conjunto habitacional. O anúncio foi feito, na manhã de ontem, durante a assinatura da ordem de serviço.
Os casebres de taipa que ocupam boa parte do entorno da Lagoa da Zeza darão lugar a uma área urbanizada para a população, que passará a morar em casas de tijolo com sala, cozinha, banheiro, área de serviço, quintal e dois quartos. O conjunto habitacional, com área total de 39,75 m, terá quadra poliesportiva, praça, balcão de negócios e creche-escola.
"Não vejo a hora de sair daqui e ir logo para minha casa", animava-se Lucivânia Soares da Silva, 21, que mora sozinha em um barraco de um cômodo. A mãe, o filho e o irmão moram em um barraco do lado e já sofreram muito com as enchentes nos quatro anos que moram na Lagoa da Zeza. Maria do Socorro da Silva, 62, que mantém os familiares com a ajuda que recebe do Bolsa Família e com o dinheiro que o filho arrecada nos sinais de trânsito, já escorregou e se machucou com a lama em casa trazida pelas chuvas.
As quase nove mil pessoas que habitam as duas comunidades, 167 famílias na Vila Cazumba e 186 na Lagoa da Zeza, passarão a viver nas moradias construídas pela Prefeitura de Fortaleza, através da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) e da Secretaria Executiva Regional (SER) VI (Grande Messejana). A obra tem a previsão de custos de R$ 29 milhões vindos do Orçamento Geral da União, por meio do programa Palafitas Zero - Urbanização, Regularização e Integração de Assentamentos Precários, do Governo Federal, através do Ministério das Cidades. Outra parte do financiamento será da Prefeitura.
A expectativa é de que o Conjunto Habitacional Maria Tomásia, o oitavo desta gestão, tenha suas obras concluídas em 12 meses, estima a presidente da Habitafor, Olinda Marques. O objetivo, segundo ela, é eliminar todas as áreas de risco. Por isso, a Prefeitura tenta aprovar a urbanização de quatro locais: Lagoa do Urubu e Açude João Lopes, na SER I, e a Lagoa do Papicu e o Campo Estrela, no São Cristóvão.
Para essas quatro comunidades, há um projeto que prevê o repasse de recursos federais da ordem de R$ 35 milhões, conforme o diretor do Departamento de Produção Habitacional do Ministério das Cidades, Daniel Nolasco. "Há uma grande possibilidade de esse recurso sair", diz, citando outros projetos de reurbanização das comunidades às margens da Bacia do Rio Maranguapinho.
Segundo a prefeita Luizianne Lins, a limpeza da Lagoa da Zeza começa hoje e, nesta semana ainda, as obras do conjunto habitacional devem ser iniciadas. "Beira de lagoa não é para gente morar", afirmou. O destino das famílias da Vila Cazumba e da Lagoa da Zeza enquanto esperam pelas casas ainda não foi definido. Enquanto as obras são realizadas, há a possibilidade de elas ficarem em um abrigo, de acordo com a presidente da Habitafor. Olinda Marques diz esperar que a quadra invernosa não atrapalhe as obras. Segundo ela, atualmente, Fortaleza possui 105 áreas consideradas de risco.
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