Mariana Toniatti
da Redação
O tráfego de carros 4X4 nas praias de Aquiraz transforma a faixa de areia numa via movimentada. Ameaça para quem freqüenta o lugar
24/01/2007 01:37

Júlio César Sousa dos Santos é taxista em Fortaleza e ao lado da mulher, a dona de casa Lúcia Eugênia Ferreira, e dos quatro filhos, freqüenta as barracas da Prainha, no Aquiraz, nos fins de semana. O filho mais novo, César Guilherme, 2, é um dos mais animados, mas apesar do vasto espaço, corre pela areia apenas em frente à mesa dos pais. "Não deixamos ele se afastar. Quando a gente vê que está vindo um carro temos que correr para segurá-lo", explica Lúcia, apontando uma caminhonete que se aproximava pela beira do mar.
O garçom da barraca está acostumado a ouvir reclamações por conta do trânsito que se forma em frente ao estabelecimento e lembra que na praia do Iguape, onde os carros também costumam trafegar pela faixa de areia próxima ao mar, já houve um acidente grave. "Um carro 4X4 vinha em alta velocidade e passou por cima de uma mulher que estava deitada", relata. Sobre a fiscalização para impedir a irregularidade, ele revela: "O Dert (Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes) vem mais é durante a semana, mas nos fins de semana, que é quando realmente têm muitos carros, não aparece".
Segundo o chefe de gabinete da Prefeitura de Aquiraz, Gilmar Gondim, os pedidos de fiscalização são encaminhados ao Dert, à Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRV) e ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) (nas vésperas de feriados). Em 2006, o Detran garantia a fiscalização nos fins de semana, mas neste ano a parceria não foi renovada. "Estamos esperando a nomeação dos coordenadores para continuar", explica Gilmar. Sem ter municipalizado o trânsito, Aquiraz ainda depende dos órgãos de apoio para fiscalizar o tráfego na praia.
"Existia uma fiscalização, houve um relaxamento e descambou para o abandono. É preciso municipalizar o trânsito, ter um quadro de agentes e poder de aplicar multas e sinalizar", diz o promotor da 1ª Vara da Comarca de Aquiraz, Francisco Marinho, que na última semana pediu a municipalização do trânsito em 90 dias. "Depois desse prazo podemos entrar com uma ação civil pública. Já fiz essa recomendação antes. Vamos completar dez anos do novo Código de Trânsito Brasileiro e Aquiraz não se adaptou", diz.
Gilmar avisa que os papéis necessários à municipalização já estão sendo encaminhados. Enquanto a cidade não formaliza o processo, a Prefeitura planeja algumas medidas preventivas para o Carnaval. "Vamos colocar cancelas e fiscais da própria prefeitura para orientar os motoristas", informa Gilmar. Os banhistas agradecem. Rosiene Pinheiro, que tentava aproveitar a praia no fim de semana, reclamava: "A gente vêm para se divertir e acaba estressado. Não dá pra tirar os olhos das crianças".
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