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Fortaleza

FALTA DE CIDADANIA

Cuidado! Tem cocô de cachorro na rua

Fato desagradável por quem costuma caminhar nas calçadas da Aldeota, encontrar cocô de cachorro e ter que desviar várias vezes no mesmo quarteirão é motivo de reclamação de moradores e trabalhadores do bairro. Quem pisa a sujeira pode até contrair uma infecção, caso o cão não seja vermifugado corretamente


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23/01/2007 01:19

OS DONOS levam seus cachorros para passear e não recolherem as fezes da calçada(Foto: MAURI MELO)
OS DONOS levam seus cachorros para passear e não recolherem as fezes da calçada(Foto: MAURI MELO)

"Cuidado, mamãe! Tem cocô de cachorro aí na frente", avisa o garoto. Ele tenta alertar a mãe, que passeia com ele pela calçada na rua Professor Dias da Rocha, na Aldeota. A cena é corriqueira no bairro e motivo de reclamação de moradores e trabalhadores da área, que acusam os donos de animais de não recolherem as fezes da calçada. O incômodo e o mau cheiro causado pela negligência dos donos de animais fazem com que a sujeira deixada pelos cachorros possa ser vista facilmente pelas ruas do bairro, a maioria em distâncias muito curtas uma das outras. Apesar das reclamações, não há nenhum projeto de lei municipal ou estadual para punir quem não recolhe as fezes dos animais nos locais públicos.

O morador Carlos Araújo relata que o fato é comum. "As pessoas saem de casa pra passear com os cachorros e acabam deixando essa sujeira na calçada. É falta de educação. Apesar de termos uma pessoa que limpa a área em frente a nossa casa, tanto o cheiro como o fato da gente ter que ficar desviando dos cocôs incomodam". Para Cione Ribeiro, que trabalha há 4 anos numa empresa na rua Professor Dias da Rocha, a situação é muito chata e desagradável para quem passa pelas calçadas. "É um absurdo. Eles tinham que recolher a sujeira dos cachorros. Eu nunca pisei, mas porque fico sempre de olho. Mas muita gente não vê e acaba pisando".

Acostumada a levar Pandora e Bethoven para passear no início da manhã, a dona de casa Cleonice Vieira confessa não apanhar a sujeira deixada pelos animais. Mas ela tem uma justificativa. "Não levo saquinho pra recolher não. Mas eles só fazem cocô nos matos, aí a sujeira não fica no caminho de ninguém". Ela explica ainda que a cadela foi educada. "Se fizer cocô na calçada, ela fica de castigo". Assim como a dona de casa, Pedro Alcântara, que trabalha com plantas, também não costuma levar nenhum saco plástico para apanhar a sujeira deixada por Toy nas calçadas.

Ele, que trabalha na praça Eudoro Correia, destaca que é muito difícil ver alguém que passeia com o cachorro recolher a sujeira deixada pelo animal. E apesar de reclamar do cocô dos outros cachorros, ele reivindica placas educativas e cestas espalhadas pela cidade para que as pessoas tenham um lugar para depositar as fezes dos animais. "Eu não apanho porque não vou ter onde colocar. Não posso ficar carregando cocô de cachorro na mão. Mas defendo a idéia de uma campanha de educação aos donos pelo poder público e locais para depositar a sujeira".

O problema é que o desconforto e o mau cheiro não são as únicas conseqüências da falta de educação de quem não recolhe as fezes dos animais. Segundo o dermatologista Paulo Cid, além da falta de higiene e da situação desagradável de levar sujeira para casa, se o cão não for vermifugado corretamente, em suas fezes poderá ter larvas de vermes, que podem penetrar na pele das pessoas que pisam. "Isso pode levar a infecção por larva migrans, também conhecida como bicho geográfico, pois se move fazendo desenhos na pele. É muito incômodo, pois a coceira é intensa e muitas vezes ocasiona feridas". rães)


SAIBA MAIS

- Em sua gestão à frente da Prefeitura de Paris, o atual presidente da República, Jacques Chirac, criou um batalhão de motocrottes, motoqueiros que percorrem as ruas equipados com um aspirador específico para la crotte (cocô de cachorro). O atual prefeito da capital francesa, Bertrand Delanoë, somou a instituição de multas pesadas (1,2 mil francos, equivalentes a R$ 420, ou 3 mil francos - cerca de R$ 1 mil - para os reincidentes) à ação educativa. Uma brigada anticrotte de 2 mil pessoas foi contratada para convencer os donos dos cãezinhos a manter as ruas limpas, distribuindo saquinhos plásticos e explicando às pessoas como fazer a ramassage (recolhimento da crotte).

- No Rio de Janeiro, foi criada a lei municipal 4.327 de 27 de abril de 2006, que determina a disponibilização de sacos plásticos para recolhimento de fezes de animais domésticos por parte de condomínios residenciais. A penalidade é de multa, que será cobrada em dobro em caso de reincidência. Já a lei municipal 2.575, de 30 de setembro de 1997, diz que os proprietários de cães que não recolhem as fezes de seus animais dos logradouros públicos cometerão infração administrativa, a ser apurada através de processo administrativo. A penalidade também é de multa.


PARA EVITAR O PROBLEMA
- Coletar o cocô do cão com um saquinho plástico e depositar na cesta de lixo mais próxima.
- Educar o animal a fazer cocô num local específico em casa, para que não deixe nenhuma sujeira na calçada.

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