22/01/2007 01:40
Haja pique até 10 de fevereiro. Os blocos do Pré-Carnaval de Fortaleza continuam saindo às sextas e sábados pelas imediações de bairros como o Centro, Benfica e Praia de Iracema. Tem dos novos aos tradicionais. Do início da tarde às 22h. No último sábado, 20, o Sanatório Geral fez barulho pela primeira vez nas ruas do Benfica. Ao mesmo tempo, mais 32 blocos saíram pela capital cearense. O Que Merda é Essa?, conhecido como "A Merda", manteve a tradição e saiu pelo 24° ano consecutivo na Praia de Iracema.
O som de marchinhas tradicionais, frevo e do carnaval baiano empurra o Sanatório Geral. Não o axé pasteurizado, e sim a levada da guitarrinha de Armandinho e afins. No bairro do Benfica, vizinho à Reitoria da Universidade Federal do Ceará (rua Waldery Uchôa), o bloco arma uma confusão "de leve". Povo entusiasmado, um subindo "na cacunda" do outro. Clima familiar, sem muita muvuca.
"Aqui é o melhor Carnaval de Fortaleza", repetia de instante em instante o motorista Ricardo Ferreira, 44. Muito suor e álcool no juízo. "Sempre saio aqui no Benfica. No Carnaval mesmo, vou para a (avenida) Domingos Olímpio. Temos que resgatar isso. Todo mundo esquece a Fortaleza no Carnaval, só vai para as praias", observa. "E aqui fica só a liseira mermo (sic)", completa o amigo ao lado, igualmente embriagado.
O Sax Bar Lanches "abastece" o povo. O Sanatório ocupa a extensão de um quarteirão. Osvaldo Costa, 30, psicólogo (nada mais apropriado para o nome), é um dos idealizadores do bloco. "A gente quer desconstruir a diferença com a anormalidade. A loucura não tem que ser aprisionada. E ocupando essa rua a gente quer construir um lugar para habitar, ir além dos muros altos. Todo mundo estudou por aqui, muitos estão vindo morar. Eu só não venho porque tô liso", admite.
No rumo da praia, às 21h, perto do fim da farra, o final da rua João Cordeiro, Praia de Iracema, é a concentração da "Merda". Muita gente à frente da Igreja de São Pedro. Àquela hora, um clima de dispersão. A marchinha descansa em longos intervalos. E Antônio Roberto, 50, o "Roberto do Frevo", é quem dimensiona a razão do bloco sair entre 24 anos de história. Ele tem 22 anos de frevo e muita matéria de jornal colecionada por conta disso. "Vai sair no Globo Rural até!", grita um gaiato.
Roberto é o abre-alas do bloco. Todo ano ganha camisa, pega guarda-chuva e óculos. Figura conhecida na multidão. "Não uso álcool, nem droga. Só volto para casa com o cansaço, mas com o vigor do frevo ainda. Minha mulher não gosta e diz que não tô mais na idade. Mas enquanto eu tiver vivo, vou brincar o Carnaval", garante. gel)
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