22/01/2007 01:40

Para entrar no mar tem que ser no braço. A aparência frágil engana, o bote a remo é embarcação muito confiável. "Isso não afunda de jeito nenhum. No máximo vira com um mar mais forte, mas a gente desvira rapidinho", diz Francisco Núbio Ferreira, 51 anos, 35 no mar. De barco grande ele já passou aperreio. A bateria do motor descarregou e a tripulação ficou uma semana à deriva. "Quando vieram nos resgatar já tinha ido a última farinha e o último gole d'água um dia antes", lembra.
O bote nunca o deixou na mão. Feito de isopor e coberto de madeira boa, pode durar até cinco anos, se bem cuidado, mas não foi feito para alto-mar. De bote se pesca antes da risca do horizonte. Pescaria de um dia, no máximo. Núbio costuma sair às 3 horas da madrugada e voltar perto do meio-dia. Deixa o que pescou num box do Mucuripe e no sábado passa para pegar o apurado da semana. "Antes sobrava, hoje não. Atualmente pego umas 800 gramas por dia. Dá menos de R$ 20,00. Em época boa chega a ser 8 quilos na semana, mas como a fartura é muita o preço cai", explica.
O trabalho da esposa e os bicos em terra, geralmente como pedreiro, complementam a renda da família. Mas Núbio gosta mesmo é de estar no mar. O braço fino tem músculos definidos e a dor nas costas faz é melhorar com as remadas fortes. "Lá dentro me sinto seguro. Quando venho pra praia de madrugada, venho com medo. É só passar daquele tronco ali e já fico tranqüilo. Posso deitar e dormir", diz num sorriso.
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