Mariana Toniatti
da Redação
Cerca de 40 pescadores participaram ontem da II Regata de Botes de Remo do Mucuripe. A prova é uma homenagem ao trabalho da Delegacia de Crimes conta o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e do Grupo Especial de Polícia Marítima (Gepom) da Superintendência Regional da Polícia Federal do Cear
22/01/2007 01:40

Seu José Renar dos Reis desliza o bote para dentro d'água e num pulo está sentado no tamborete da pequena embarcação. Segura o remo e com toda força, empurra a água para trás. Arruma o prumo e segue em direção ao horizonte. Difícil acreditar em seus 68 anos. Outros companheiros pescadores fazem o mesmo movimento e num instante o mar fica colorido. Minutos depois, os botes viram pontinhos lá longe. Todos os pescadores ali têm pelo menos 50 anos. Disputam a bateria dos veteranos na II Regada de Botes de Remo do Mucuripe, realizada ontem na praia tantas vezes cantada em verso. Na segunda bateria entram os mais novos.
Em frente às castanholas do calçadão, cerca de 40 pescadores se reuniram para a prova, uma homenagem ao trabalho da Delegacia de Crimes conta o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e do Grupo Especial de Polícia Marítima (Gepom) da Superintendência Regional da Polícia Federal do Ceará, organizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam). Em 2004, ano da primeira regata, os pescadores queriam chamar a atenção para o problema da pesca ilegal e predatória de arrasto do camarão no Mucuripe, praticada principalmente durante a madrugada. Conseguiram.
No ano passado, o número de embarcações que burlavam a lei e pescavam de arrasto perto da praia, onde o fundo do mar é de lama e está cheio de camarões, ao contrário do alto-mar, onde a areia grossa dificulta a pesca, chegou a sete. Depois da apreensão de três barcos e da prisão de oito pescadores, em 2006, o problema diminuiu. "Os barcos entravam à noite com as luzes apagadas e ficavam perto da costa, dentro das três milhas (5,8 quilômetros, a linha do horizonte vista da terra) onde a pesca de arrasto do camarão é proibida porque acaba trazendo na rede muitos peixes e crustáceos novos", diz o engenheiro de pesca da Célula de Controle Ambiental da Semam, Marcelo Augusto Bezerra, um dos organizadores do evento.
A iniciativa dos pescadores ajudou o Gepom a efetuar as prisões. Eles vigiaram a orla, identificaram os barcos que faziam a pesca ilegal e denunciaram o crime. "Perdemos noites de sono, pastorando. Numa das prisões estávamos aqui e avisamos a polícia", conta um dos pescadores da colônia, que não quis se identificar por questão de segurança. O crime da pesca de arrasto do camarão diminuiu, mas segundo os pescadores, duas embarcações continuam desafiando a lei e intimidando quem pesca de bote. "Sem informação ninguém faz nada. Os pescadores são os que têm mais consciência do que acontece no mar, onde acontece e quem pratica", diz um dos agentes da Gepom, que prefere não ser identificado porque trabalha investigando os crimes praticados na área do Mucuripe.
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