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Fortaleza

PRÉ-CARNAVAL

15 mil foliões brincam na praça

Paula Lima
da redação

No primeiro dia do Pré-Carnaval da Praça do Ferreira, no Centro da Cidade, o Bloco Concentra Mas Não Sai atraiu 15 mil foliões. Crianças, jovens e idosos dividiram o espaço ao som das marchinhas de carnavais mais tradicionais e cantaram o hino do bloco na ponta da língua


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22/01/2007 01:40

MARCHINHAS de antigos carnavais animaram o primeiro dia do Bloco Concentra Mas Não Sai(Foto: NATALIA KATAOKA/ESPECIAL PARA O POVO)
MARCHINHAS de antigos carnavais animaram o primeiro dia do Bloco Concentra Mas Não Sai(Foto: NATALIA KATAOKA/ESPECIAL PARA O POVO)

Na hora que o sol dá sinais de ir embora, sábado, na Praça do Ferreira, um palco armado, a banda do bloco Concentra Mas Não Sai afina o compasso dos instrumentos e começa a marchinha: "A gente brinca, a gente morre de achar graça/ curtindo sempre a danada da cachaça/ a gente sonha muito com a festança/ mas na hora do desfile a gente cansa..." Espalhados pelos arredores da praça os primeiros foliões. É o primeiro dia do Pré-Carnaval na Praça e há espaço para todo mundo. Segundo o Major Gilvandro, comandante de policiamento da área, ali, até o fim da noite 15 mil pessoas entraram no clima de Carnaval - daqueles à moda antiga.

A pequena Camila de Castro, 3, pula, balança os braços e joga as trancinhas do cabelo de um lado pro outro. Ao lado da mãe Antônia de Castro, 38, autônoma, ela diz encabulada que gosta de dançar e por isso adora Carnaval. "Fico na frente do palco, porque não tem tumulto. Aqui é muito bom, só tem gente de família, lá pelas sete e meia (da noite) vou embora porque é quando começar a ficar mais cheio de gente", conta a mãe. Quando vê a lente da fotógrafa, Camila acelera o passo e continua a dança agora ainda mais animada.

Ali perto dançando sozinho Seu Tibúrcio Andrade, 59, de bermuda jeans, camisa florida, meias brancas e sapatos pretos parece competir com Camila. Ele não pára de dançar, faz uma pausa para dar entrevista, mas ainda assim mantém o troca-troca dos pés acompanhando a marchinha. "Há 40 anos freqüento os carnavais de rua na Domingos Olímpio, ano passado vim para o Concentra e este ano virei de novo todos os sábados". A esposa ficou em casa. "Ela confia em mim, mas às vezes tem umas coroas que me paqueram", se diverte. Ele agradece a conversa com reverência e volta aos passinhos da marchinha.

O sol vai embora e as pedras de calçamento da Praça do Ferreira desaparecem aos olhos invadidas por sandálias havaianas, saltos finos, tênis importados e rasteirinhas. Famílias, amigos, grupos de gente de 20, 30, 40 e 50 anos de latinha na mão alternam os pés e cantam clássicos de Carnaval. Isopor é o que não falta. Alguns grupinhos trazem o seu de casa, abastecido de cerveja e refrigerante, mas a R$ 1,50 é fácil encontrar algum ambulante vendendo cerveja e há quem cobre R$ 2 pelo refrigerante.

Elisângela Teixeira, 31, trabalha com confecções e para ganhar um extra, comprou 50 latinhas de cerveja para vender na Praça. "Tenho uma conta para pagar na segunda-feira e tinha que arranjar dinheiro, vai dar para vender tudo e ainda me divirto", conta. Na calçada da rua Floriano Peixoto, barraquinhas vendem churrasquinho e outras porções de dar água na boca. Um pratinho com carne de caranguejo ou camarão, paçoca, arroz ou baião de dois custa R$ 6, mas tem também espetinhos de R$ 1,50.

O cantor do bloco avisa: "quero ver vocês cantando mais eu!". Seu Tibúrcio já sem espaço para ficar na frente do palco, afasta para perto da caixa de som, careca suada, continua a dançar. "Eu passo a noite toda dançando, aqui perto do palco, tenho energia demais". A banda empolga: "Dá a chupeta, dá chupeta pro neném não chorar", e marmanjos no clima de Carnaval desfilam com chupeta na boca.

Fantasiadas, Bianca, de gatinha, 7, e Iara, de princesa, 4, brincam ao lado dos pais. "Todo ano eu escolho minha fantasia de Carnaval, aqui é muito legal, fica todo mundo dançando, eu adoro", disse Bianca. O pai, Júlio César, 40, professor, é o maior incentivador da folia. "Ano passado viemos e este ano estamos aqui de novo. É importante trazer as crianças fantasiadas para elas entenderem o espírito do Carnaval, gosto daqui porque também tem esse resgate das músicas e do centro urbano de Fortaleza", explica.

Lá pelas 20 horas, o hino do bloco convida: "a gente ameaça, mas não vai/ quem é quer acompanhar/ o bloco que concentra, mas não sai...o bloco que concentra, mas não sai..." A porta-bandeira oficial desde 2002 - ano que o Bloco foi criado - vai na frente e a banda dá a volta na praça. Os foliões vão atrás, cantando e dançando a marchinha. Nenhuma briga, nada de confusão. Meia-noite, a festa termina e espera pelo próximo sábado fim de tarde para começar outra vez.

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