Fátima Guimarães
da Redação
O Hospital Universitário Walter Cantídio ainda não recebeu o pagamento pelos transplantes de fígado realizados nos meses de julho, agosto e setembro último
19/01/2007 02:22

O Centro de Transplante de Fígado do Ceará (CTFC), do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), tem tudo para comemorar: o serviço é referência para o Norte e Nordeste do País e no último dia 1º fez o transplante de número 200. Mas o atraso no repasse de cerca de R$ 650 mil referentes aos procedimentos dos meses de julho, agosto e setembro último está inviabilizando alguns serviços como a realização de exames de importantes para quem vai ser transplantado.
Por cada transporte de fígado, o Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 52 mil (o pacote inclui equipe médica, hospital e outros serviços). O chefe do CTFC, Huygens Garcia, observa que, por questões administrativas, o pagamento dos procedimentos sempre ocorre com atraso, mas nunca como agora. "O dinheiro do transplante e uma fonte de recurso importante para o hospital".
Segundo o médico, por causa do problema, o serviço chegou a enfrentar dificuldades para realizar exames complementares, que são exigidos para o candidato ao transplante mudar a posição na fila de espera. Isso porque, pela sistemática em vigor, o serviço tem de enviar toda semana à Central de Transplante do Órgão e Tecidos, os exames atualizados, já que recebe o órgão doado a pessoa que estiver mais grave. O dinheiro oriundo dos transplantes é usado também para pagar fornecedores, comprar medicamentos e outros.
Silvio Furtado, diretor do HUWC, diz que qualquer atraso no repasse de recursos compromete o funcionamento do hospital, que já tem um déficit mensal em torno de R$ 250 mil. Ele observa que o sistema de informação muda com tanta rapidez que fica difícil acompanhar. Por causa da burocracia, quatro AIHs de transplantes de fígado do mês de novembro foram rejeitadas porque o paciente ficou no hospital apenas sete dias e não 15 que é a média de permanência, já que estava bem. A conta já foi reapresentada.
Alex Mont´Alverne, coordenador de Políticas Públicas de Saúde, explica que o órgão não faz o pagamento e sim aplica o sistema do Ministério da Saúde (MS), onde, como gestor, confere os protocolos exigidos para a liberação das Autorizações de Internações Hospitalares (AIHs). "Verificamos, por exemplo, se os profissionais são cadastrados, se o paciente está cadastrado na Central. Um indicativo de erro, pode levar o prestador a ter de apresentar novamente a conta à SMS, que se aprovada é enviada para Brasília".
Segundo ele, as correções que precisam ser feitas são disponibilizadas no sistema para que o prestador do serviço faça as alterações. Mont´Alverne diz que o HUWC não teria visto as críticas e que por isso, pode não ter feito as correções a tempo. Ele afirma que o hospital reapresentou o processo (contas dos procedimentos) em dezembro e por causa dos trâmites ainda vai demorar a liberação dos recursos. "Para não prejudicar os transplantes fizemos um antecipação de R$ 400 mil ao HUWC e disponibilizamos os exames".
Alex Mont´Alverne acrescenta que já recomendou a equipe da SMS para revisar com muito cuidado os processos dos grandes hospitais para que nenhum seja penalizado. Mesmo assim, recomenda aos hospitais ficarem atentos às contas apresentadas, verificando no sistema se é preciso corrigir algum item e providenciando as mudanças em tempo necessário.
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