Nicolau Araújo
da Redação
Polícia apreende documentos que serviam de garantia para o pagamento de dívidas com traficantes de drogas. Um cartão do Bolsa Família estava entre registros de identidade, títulos de eleitor, carteira de trabalho e certificado de reservista. Três adolescentes e um homem foram detidos
18/01/2007 02:10
Um cartão do Bolsa-Família foi usado pelo beneficiário como pagamento de uma dívida de consumo de drogas. O caso foi divulgado ontem pelo delegado do 32º Distrito Policial (Parque Santa Cecília), Maurício Tindô, que apresentou ainda uma carteira de trabalho, nove registros de identidades, dois títulos de eleitor, um certificado de reservista, quatro carteiras de habilitação e duas certidões de nascimento, que serviriam como garantia para a quitação de dívidas de outros usuários de crack e maconha.
Além dos documentos apreendidos, a Polícia prendeu o traficante Adriano David, 19, o Bebê, e apreendeu três adolescentes, sendo duas jovens (com idades de 15 anos e 17 anos) e um rapaz de 17 anos. Um revólver calibre 38 também foi apreendido com o grupo.
Apesar de a quadrilha ser composta por pessoas de pouca idade, para a Polícia, o "negócio" do grupo era bastante organizado, inclusive com anotações da contabilidade do crime, referente à quantidade de droga adquirida para a venda, ao dinheiro arrecadado com o tráfico e a uma espécie de crediário (venda de drogas a prazo). O "escritório" da quadrilha funcionava no bairro Cidade Nova, no Grande Bom Jardim, e, de acordo com a Polícia, era administrado pelos dois casais.
Sobre o cartão do Bolsa-Família, o delegado Maurício Tindô contou que o beneficiário não conseguiu quitar dívidas anteriores e teve que deixar o benefício com a quadrilha, até a quitação do montante. "O beneficiário provavelmente começou no esquema do crediário e não conseguiu pagar as prestações. Pelo o que eu pude notar na caderneta da contabilidade, os documentos eram apreendidos pelo grupo, à medida em que a dívida atingia um determinado valor. Vamos investigar agora há quanto tempo a quadrilha vinha realizando saques em nome do beneficiário", ressaltou o delegado.
A Polícia chegou ao grupo depois que passou a investigar uma denúncia anônima. As duas adolescentes foram apreendidas e revelaram parte do "esquema", assim como o endereço do "escritório". Segundo a Polícia, Adriano David assumiu que a droga era dele. Ele teria dito que o material era procedente de traficantes do litoral, mas não citou nomes. De acordo ainda com a Polícia, todas as pessoas com documentação apreendida serão chamadas para depoimentos.
"Acredito que o grupo estivesse aliciando outros adolescentes para o mundo do crime, pois a maioria das pessoas com nomes na caderneta é bastante jovem. Através de uma parceria com a comunidade, estamos realizando um trabalho preventivo com a juventude do Grande Bom Jardim, que envolve 17 bairros, em uma população de 270 mil habitantes", afirmou Maurício Tindô.
Uma outra apreensão de drogas aconteceu ontem no Aeroporto Internacional Pinto Martins, quando a Polícia Federal encontrou com um africano cerca de dois quilos de cocaína, escondidos em solas de sandálias. Em depoimento, o africano disse que receberia R$ 5 mil para transportar a droga de São Paulo para Cabo Verde (África).
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