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QUEDA DE HELICÓPTERO

Laudo ainda não foi concluído

Passado um ano, o relatório final que aponta as causas para a queda de um helicóptero do Ciopaer ainda não foi remetido à Justiça. E é justamente a falta de informações oficiais sobre o acidente o que mais afeta atualmente os familiares das pessoas que morreram e dos sobreviventes

Marcos Cavalcante
da Redação

29 Dez 2006 - 02h07min

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Três pessoas morreram no helicóptero que cai na Base Aérea no momento do pouso (Foto: L. C. Moreira/Especial para O POVO)
Há um ano, na tarde do dia 29 de dezembro, o helicóptero modelo AS 350B, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), caía dentro da Base Aérea de Fortaleza. Três dos cinco ocupantes morreram no local, e os outros dois ficaram feridos com gravidade. O laudo conclusivo sobre o acidente, entretanto, ainda não apareceu. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira e responsável pelas investigações, não confirmou nem que o laudo final tivesse sido concluído.

O Ministério Público Militar, que está acompanhando o caso no Ceará, também diz que não recebeu o relatório final. Segundo o promotor Alexandre Saraiva, "foi entregue somente um relatório parcial. Mas não lembro direito o que tinha porque ele foi devolvido à Justiça (10ª Circunscrição Jurídica Militar)", explica. Segundo o Cenipa, somente quem poderia dar as informações seriam a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), proprietária do helicóptero, e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em Brasília. A assessoria da SSPDS informou que desconhecia o recebimento de novas informações. Já na Anac não foi encontrado ninguém para fornecer mais informações.

Mas são os familiares e as vítimas quem mais esperam a elucidação do caso. Hoje, eles irão se reunir no 5º Batalhão da Polícia Militar, às 19 horas. Roberta Câmara Nascimento, viúva do comandante da aeronave, Lindemberg Austregésilo Andrade, 39, à época major, relata que isso é o que mais lhe angustia. "Ele era o piloto mais experiente do Ciopaer. Se fosse em um acidente de noite em meio à chuva, teria sido mais fácil aceitar. Mas do jeito que foi fica uma coisa triste", desabafa. Roberta destaca que teve de batalhar para conseguir a pensão integral e a promoção à tenente-coronel.

Situação pior está passando a família do sargento Bombeiro Militar José Lopes da Silva, ainda em pré-coma. Segundo um familiar que preferiu não se identificar, ele está em casa, mas move apenas os olhos. Os cuidados vêm da esposa, filhas e irmãos, que cuidam da higiene e remédios de Lopes. Além de emocional, o problema também é financeiro. Lopes não foi promovido a subtenente, não está aposentado e teve a gratificação por trabalhar no Ciopaer cortada.

"Mas o pessoal dos Bombeiros sempre tem dado um apoio muito grande à gente", ressalta. O outro acidentado, soldado Deyves Burton, voltou ao posto de tripulante operacional do Ciopaer desde maio. O POVO não conseguiu contato com as famílias da co-piloto, major BM Rosana Buson, e do soldado PM Roberto Pacheco da Costa.

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