BENFICA
Memorial resgata a históra da Gentilândia
Um resgate, através da memória, da história de um dos bairros mais tradicionais de Fortaleza, a Gentilândia. Assim é o Memorial da Gentilândia, que reúne fotos e depoimentos de moradores do bairro e que agora está ao alcance de toda a população

Rocélia Santos
da Redação

23/12/2006 14:38

"A Gentilândia é um daqueles lugares onde a cidade lembra o que já foi. Lugar onde se vive para conviver, para ver, para sentir, para ouvir, para andar, para conversar. Conversar experiências do cotidiano, fruto das relações sociais alicerçadas pelo tempo. Por isso que o gentilandino é um estado de espírito e, quem já viveu na gentilândia, sabe que é imprescindível voltar sempre. Para conviver, para ver, para sentir, para ouvir, para andar, para conversar".


O texto de abertura do Memorial da Gentilândia, escrito pelo professor-doutor e pesquisador Elmo Vasconcelos Júnior, descreve o sentimento daqueles que vivem ou convivem no bairro Benfica, ou Gentilândia como preferem os moradores do local. De um lado, aquele clima meio interiorano, com famílias tradicionais, religiosas, que se conhecem de longa data, amigos que se reúnem freqüentemente no bar, ou mesmo na calçada, embaixo de uma árvore, para jogar conversa fora e relembrar os bons tempos de infância e juventude. Do outro, aquele ambiente acadêmico e boêmio, movimentado pelas universidades e estudantes acadêmicos. Assim é a Gentilândia, uns dos bairros mais tradicionais da cidade. É nesse espaço que surge o Memorial da Gentilândia, na Confraria da Gentilândia, próximo ao Estádio Presidente Vargas.

O saudosismo de seus moradores é um dos charmes desse bairro, que faz questão de preservar costumes de décadas anteriores, entre eles as confrarias. "Confraria é um termo que surgiu na Idade Média para definir a reunião de companheiros com o mesmo ideal, inicialmente religioso. Aqui, a confraria é um local em que amigos com interesses comuns se reúnem, no nosso caso, o de preservar a memória do bairro", explica Elmo Vasconcelos.

E foi a partir dos encontros de amigos na Confraria da Gentilândia que surgiu a idéia de fazer o Memorial do bairro. Elmo conta que, aos sábados, os integrantes da Confraria se reúnem para conversar, relembrar o passado. "Sempre nas reuniões, um trazia uma foto, um recorte de jornal para mostrar aos outros. Foi, então, que surgiu a idéia de fazer um memorial para que toda a cidade pudesse também conhecer um pouco da nossa história. Não dizem que Fortaleza não tem memória? pois a Gentilândia tem", ressalta o professor.

O professor conta que foram nove meses de pesquisa para elaborar o Memorial, que é composto por doze painéis, divididos por temas, como "Gentilândia e sua origem", que conta um pouco da história do fundador do bairro, coronel José Gentil; "Feira livre, empresas e serviços", que fala um pouco da feira livre do bairro, segundo o professor, a mais antiga de Fortaleza (desde 1958).

O painel "Educação, cultura e lazer" tem fotos das escolas e instituições que já existiram no local e que ainda existem, como a imagem da inauguração da Escola Industrial, em 1952 (atual Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará - Cefet). O painel "Futebol" mostra a foto histórica do jogo Ceará x Gentilândia, pelo campeonato estadual de 1956, em que o Gentilândia se sagrou campeão no Estádio Presidente Vargas, que ainda estava em construção.

"O memorial foi feito a partir da memória dos moradores mais antigos e, como todo produto de memória, ele pode ser incompleto, pois é feito pela memória", observa, ressaltando o apoio cultural da Federação dos Transportes - Cepimar (Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Ceará, Piauí e Maranhão) na realização do projeto.

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