MAPA DA VIOLÊNCIA
Número de homicídios cresce 110% em 10 anos no Ceará
O Ceará registrou aumento de 110% no total de homicídios no período de uma década. No ano de 1994, a taxa era de 9,5 homicídios para 100 mil habitantes, indo para 20,0 em 2004, segundo dados do estudo Mapa da Violência 2006. A violência cresceu mais entre os jovens, e o estudo também aponta que o Interior foi quem contribuiu para a elevação do índice
Marcos Cavalcante
da Redação
18/11/2006 02:36
O número de violência por homicídios mais que dobrou no Ceará. Entre os anos de 1994 a 2004, um espaço de 10 anos, a taxa de homicídios cresceu 110% no Estado, passando de 9,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes em todas a faixas etárias em 1994, para 20,0 homicídios com a mesma proporção. Ou seja, um número maior de pessoas acabou sofrendo alguma morte provocada por outras pessoas, como latrocínios, brigas, dentre outros. Entre os jovens cearenses na faixa de 15 a 24 anos, o crescimento foi ainda mais significativo, saltando de 14,4 homicídios em 1994, para 34,6 uma década depois, uma elevação de 140% no índice. Os dados constam no estudo Mapa da Violência 2006 - Os jovens do Brasil, divulgado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura.
Se depender da proporção do crescimento de ocorrências registrado no estudo, a idealização de um interior do Estado tranqüilo está sendo desfeita. A elevação dos índices no Estado foi maior justamente nessa região. Os números de Fortaleza mostram que, em 1994, ocorriam 20,7 homicídios na Capital para cada grupo de 100 mil habitantes. Já em 2004, o total chegou a 28,5 homicídios, um incremento de 38% no índice. Como em todo o Estado, a juventude de Fortaleza com idade entre 15 e 24 anos também sofreu mais com o aumento da violência. Os números passaram de 32,3 óbitos por homicídios em 1994, para 49,5, um aumento percentual de 53% no período.
Para o secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), coronel Laécio Macambira, a elevação do número de homicídios no Estado é associada a uma série de fatores, que passam por questões econômicas e sociais no campo. "Está havendo uma ação bastante forte do Governo do Estado em conter o êxodo para a Capital. Com isso, cidades do Interior acabam se tornando pólos de recepção de pessoas e investimentos. Os problemas sociais, como a violência e a pobreza também acabam crescendo, especialmente em cidades maiores, como Sobral, Juazeiro do Norte e Crato", lembra Macambira.
Ele também destaca uma maior operacionalização e presença do policiamento no Interior como outro fator que levou ao aumento do índice de homicídios. "À medida que você consegue dar maior capilaridade, com a presença de mais delegacias, você consegue um resultado melhor", explica. "São muitas as questões políticas que afetam as comunidades. Nossa ação é de contenção, e as políticas sociais devem ser mais fortalecidas", alerta.
Segundo o estudo, o Ceará segue uma tendência de aumento dos homicídios no interior. Ou seja, os homicídios nas capitais reduziram suas participações no total homicídios registrados. "Existe marcada tendência de interiorização da tendência homicida. Em oposição ao primeiro qüinqüênio da década analisada, quando os homicídios nas capitais/regiões metropolitanas crescem mais rapidamente, no segundo qüinqüênio são os homicídios no interior dos estados que lideram o crescimento", aponta o estudo.
Os estados de Pernambuco (50,7 homicídios para 100 mil habitantes), Espírito Santo (49,4) e Rio de Janeiro (49,2), nessa ordem, apresentam as maiores taxas de homicídios do País. O Mapa da Violência aponta, ainda, que as maiores vítimas da violência são jovens do sexo masculino, raça negra, com baixa renda e escolaridade. Os homicídios também são mais registrados nos fins de semana que nos dias úteis.
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