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Fortaleza

Alunos temem atraso em formaturas


08 Nov 2006 - 02h41min

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PARA ELIAS COUTINHO, a duração da greve prejudica os alunos que precisam se formar

A longa duração da greve da Uece vem trazendo prejuízos para alguns alunos. Este é o caso de Elias Coutinho, estudante do curso de Matemática, que depende apenas de uma disciplina para conseguir se formar. Ele, que trabalha como professor em algumas escolas da cidade, disse que está frustrado com a situação. "Mesmo que as aulas voltem logo, vai atrasar a minha formatura pelo menos mais um semestre. Isso acaba prejudicando o aluno, principalmente o que precisa do diploma logo".

De acordo com o estudante, alguns dos seus colegas que fizeram o concurso do Estado para professor do Ensino Médio estão preocupados em não receberem o diploma antes de serem convocados. "Porque os alunos que estavam até no sétimo semestre da faculdade podiam fazer o concurso, desde que quando fossem chamados tenham o diploma".

Para não passar pelo mesmo problema de Elias Coutinho, a veterinária Lívia Rachel, e outros alunos de sua turma, entraram na Justiça para conseguir se formar. "A gente era para ter defendido a monografia em julho, mas só que atrasou tudo por causa da greve. Então nós entramos com um mandado de segurança no final de agosto e a Justiça obrigou os professores a receberem nossas monografias". A veterinária acabou recebendo o diploma de formatura no final de outubro.

Mas alguns estudantes não conseguiram nem se acostumar com as aulas. Por causa da greve, Fernando Antônio não concluiu o primeiro semestre do curso de Ciências da Computação. Ele afirmou que está torcendo para que as aulas retornem imediatamente. "No primeiro mês (sem aulas) foi bom, mas agora já está uma monotonia. Não pensei que a greve fosse durar tanto".

Quem também não vê a hora da greve acabar são os comerciantes do Campus do Itaperi. O fotocopiador Airton José diz que por causa da paralisação o seu faturamento caiu cerca de 95%. "O que todo comerciante daqui quer é que a greve acabe logo, porque a gente vem tendo prejuízo. Não tem movimento".


ENTENDA O CASO

- 7 de junho - Em assembléia geral no auditório central Campus do Itaperi, os professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) iniciam a greve por tempo indeterminado. Os professores reivindicavam reajuste salarial emergencial de 16,3%, recuperação das perdas de 74% referentes aos últimos 10 anos e agilidade no processo do Plano de Cargos e Carreira e Salários (PCCS)

- 8 de junho - Governo concede 6% de reajuste aos servidores do estado

- 7 de julho - representantes das três universidades (Uece, UVA e Urca), e da educação básica, resolveram oficializar a criação de um comando unificado de greve. A UVA iniciou o movimento grevista no dia 24 de junho, terminando no dia 27 de outubro, por força de determinação judicial da juíza da 4ª Vara da Comarca de Sobral. Os docentes da Urca iniciaram a greve no dia 26 de abril e se mantêm em estado de greve até o momento

- 26 de julho - matrícula para o semestre 2006-2 dos veteranos da Uece é adiada

- 24 de outubro - o reitor da Uece, Jader Onofre de Morais, em comunicado oficial, convoca os professores para que retornem às aulas, ordem não atendida

- De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), a greve da Uece é a segunda maior paralisação no ensino superior registrada no Brasil. A mais longa foi na Universidade Estadual do Paraná, em 2001, que teve duração de seis meses.

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