ATENDIMENTO feito por profissional da equipe do PSF em Fortaleza na casa do paciente: melhor atenção à saúde(Foto: MAURI MELO)
ATENDIMENTO feito por profissional da equipe do PSF em Fortaleza na casa do paciente: melhor atenção à saúde(Foto: MAURI MELO)
ATENDIMENTO BÁSICO
PSF pode reduzir número de pacientes em hospitais
O Programa de Saúde da Família (PSF), no Ceará, atinge 67% de cobertura com 1.048 equipes. Em Fortaleza, a Secretaria Municipal de Saúde dividiu a cidade de acordo com áreas de riscos. Quanto mais pobre a região, mais equipes do PSF

Marcos Cavalcante
da Redação

08/11/2006 02:41

Para todos os secretários da saúde entrevistados, o Programa Saúde da Família (PSF) se mostra como um ótimo fator na redução de pacientes nos hospitais. Entre os principais objetivos do PSF estão identificar as doenças no início e tratá-las antes que se agravem. De acordo com o titular da Secretaria da Saúde do Estado, Jurandi Frutuoso, o programa, lançado em 1994 no Ceará, atualmente atinge 67% da cobertura das famílias. "Se você tem uma atenção primária organizada, você tem 85% de problemas resolvidos no primeiro nível", garante Jurandi.

Atualmente, 1.048 equipes, compostas por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários, estão funcionando no Ceará. O PSF também funciona como suporte para outras ações governamentais, como a criação dos Hospitais de Pequeno Porte (HPP). Na prática, esses locais servem para dar os cuidados iniciais a municípios com até 30 mil habitantes e cobertura do PSF acima de 70%. "Nós passamos o valor para os HPP de R$ 7 milhões para R$ 14 milhões", diz.

A meta, porém, antes de aumentar os leitos, é otimizar os já existentes. Ao invés de internar, consultas nos consultórios dos postos ajudam a retirar os pacientes dos hospitais. "O hospital recebe por meta e não por internações desnecessárias. Elas caíram de 21% em 2004, para 17% em 2005", diz Jurandi.

Em Fortaleza, o titular da Secretaria Municipal da Saúde
(SMS), Odorico Monteiro, explica que dividiu a cidade de acordo com as áreas que mais necessitam de atenção do PSF. Nas áreas mais carentes, consideradas de risco 1, existe uma equipe do PSF para cada 500 famílias, em bairros como Bom Jardim e Siqueira. Nas de risco 2, uma para um grupo de 700 famílias, como é o caso do Pirambu. As de risco 3, como Parangaba, terão uma equipe em 1.000 famílias. As de risco 4, regiões mais nobres, como Aldeota, não haverá equipes de PSF. "É um princípio de eqüidade, tratar de maneira diferente as pessoas diferentes", diz.

Ele ressalta, porém, que o programa, criado e incentivado pelo Governo Federal, não está contando com todas as verbas necessárias. "Somente a folha do PSF nos dá um impacto de R$ 3 milhões. Cada equipe custa R$ 25 mil. Mas nossa meta é aumentar incentivos ao programa", destaca Odorico.

O titular da secretaria da saúde de Caucaia, Murilo Amaral, explica que o município recebeu um prêmio nacional pela forma de implantação do PSF. Atualmente, 87% de Caucaia, diz Murilo, está coberto pelo programa. "Recebemos R$ 310 mil para ampliarmos mais equipes de saúde básica. Estamos atualmente com 60 equipes, mas pretendemos chegar a 70 e totalizarmos os 100% de cobertura com esse acréscimo", comemora Amaral. "Na grande Jurema, foi inaugurada uma equipe do PSF com três equipes de médicos", enfatiza.


SAIBA MAIS

Atenção Primária - foco principal no Programa Saúde da Família (PSF). Trata de campanhas de imunização, saúde do idoso, da mulher, hanseníase, tuberculose, dentre outras doenças. Embora receba recursos federais, o programa é gerido pelo município.

Atençao Secundária - divide-se em 29 microrregiões no Ceará. Formado por hospitais que tratam com um grau mais elevado de complexidade das ocorrências médicas, como cirurgia-geral, obstetrícia, clínica média e pediatria.

Atenção Terciária - é o grau mais elevado de complexidade, como cirurguias cerebrais ou problemas ósseos que exigem equipe médica e equipamentos especializados.

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