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Greve não acaba e reitoria diz que vai cortar pontos
Pró-reitor de Graduação da Uece diz que universidade irá cumprir mandado judicial que determina, entre outras coisas, o corte de salário dos dias não trabalhados pelos professores. Mesmo diante da medida, categoria mantém greve, que ontem completou cinco meses
Carlos Henrique Camelo
da Redação
08 Nov 2006 - 02h41min
"Ordem judicial não se discute, se cumpre. A universidade vai fazer o que a Justiça mandou, quem não cumprir vai ter que arcar com as conseqüências", afirmou Castelo Branco. Mas, de acordo com o pró-reitor, as faltas dos professores ao serviço só poderão ser computadas no fim do mês quando forem entregues as cadernetas de presença". Na universidade não se computa a falta no dia a dia". A greve dos professores da Uece completou ontem cinco meses de duração. A paralisação da categoria tem como principal reivindicação a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
O presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sindiuece), Célio Coutinho, classificou como "abusividade do reitor" a decisão de se punir os professores que não voltarem para as aulas." Ele não pode decretar o fim da greve, só a nossa Assembléia é que pode fazer. Ele está se excedendo". De acordo ele, a categoria irá apresentar um mandato de segurança para tentar barrar as medidas administrativas anunciadas pela nota da direção da Uece.
Além disso, segundo o sindicalista, será apresentado um agravo de instrumento contra a decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública do Estado do Ceará. Apesar de recorrerem à Justiça, o presidente do Sindiuece diz que os professores não estão descumprindo a decisão judicial. "As partes citadas pelo mandato de segurança são os gestores (e não os professores)".
Célio Coutinho afirmou que o reitor se precipitou exatamente no momento em que houve um avanço nas negociações, referindo-se à reunião que teve na manhã de ontem na Assembléia Legislativa. Uma comissão de oito membros das universidades estaduais (Uece, Universidade Regional do Cariri (Urca) e Universidade do Vale do Acaraú (Uva)), reuniram-se, em uma sala ao lado do plenário, com o deputado Nelson Martins (PT), interlocutor do movimento com a Assembléia, e o deputado Mauro Filho (PSB), integrante da comissão de transição dos governos Lúcio Alcântara/Cid Gomes.
A reunião durou mais de duas horas. No fim, foi marcado um outro encontro, para hoje, às 9 horas, na presidência da Casa, com o Colégio de Líderes. Segundo o deputado Nelson, deverá ser apresentada uma proposta de suplementação orçamentária para o ano que vem, para absorver o impacto financeiro dos PCCs dos grevistas nas contas do Governo do Estado. O montante estimado é R$ 120 milhões anuais.
"O valor será bem menor. Vamos abrir apenas uma rubrica", diz Nelson, para quem, nesse momento, o valor é "irrelevante". Mauro Filho afirmou que só vai se pronunciar quando a proposta estiver formatada. Célio Coutinho classificou o encontro como o primeiro, ao longo dos cinco meses, que possa ser caracterizado como de negociação. Segundo ele, o resultado da conversa será avaliado hoje, às 10 horas, durante à assembléia geral dos professores,no Campus do Itaperi. (Colaborou Erivaldo Carvalho)
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