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NOVA PRÁTICA DE SEQÜESTRO

Estudante é vítima de "cativeiro-relâmpago"

Estudante é vítima de "cativeiro-relâmpago", no bairro da Parangaba. Nesta nova modalidade criminosa, a pessoa é feita refém por menos de 48 horas, até o pagamento do resgate. Embora o seqüestro tenha ocorrido na noite de segunda-feira, as investigações ainda não começaram

Ricardo Moura
da Redação

30 Ago 2006 - 02h59min

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Uma estudante de 23 anos, residente no bairro da Parangaba, foi vítima, por volta das 20h30min da última segunda-feira, de um "cativeiro-relâmpago". Essa nova modalidade de seqüestro ocorre quando a vítima é mantida como refém por menos de 48 horas, mas, diferente do seqüestro-relâmpago, há o pedido de resgate. A estudante havia saído de casa para entregar um trabalho a uma amiga quando percebeu a aproximação de dois homens suspeitos. Sem tempo para reagir, as duas jovens foram rendidas e obrigadas a entrar no carro da amiga. Como forma de intimidação, um dos homens mostrou a arma que portava na cintura. Em um matagal a poucos minutos do local do seqüestro, três homens em um outro carro se juntaram aos dois criminosos.

As duas jovens foram levadas a um posto de auto-atendimento para fazer um saque na conta da amiga da estudante. Segundo o relato das vítimas, os criminosos não sabiam operar a máquina corretamente e, por conta disso, desconfiaram de que a senha fornecida por ela não fosse correta. Devido ao limite no valor do saque depois das 22 horas, a quadrilha retirou cerca de R$ 600.

Com o objetivo de arrecadar mais dinheiro, os criminosos entraram em contato com o pai da estudante e pediram o resgate. Ele, por sua vez, disse que não tinha o dinheiro pedido. O valor diminuiu, e o pai da vítima ainda fez uma proposta menor. Um dos seqüestradores informou que iria ligar dentro de meia hora, mas não ligou, aumentando a angústia dos familiares. O valor pago foi cinco vezes menor do que o inicialmente pedido. O POVO opta por não divulgar valores de resgates de seqüestros para não orientar os bandidos. O valor pedido em ação desse tipo é bem inferior aos pedidos em seqüestros por mais de 48 horas.

Enquanto eram mantidas como reféns, as duas jovens eram obrigadas a manter a cabeça baixa, sob ameaça de agressão. "Eu e minha amiga levamos coronhadas na cabeça, para que não olhássemos para os seqüestradores", relata. Os criminosos também faziam perguntas sobre o dia-a-dia da estudante. A cada resposta errada, eles contestavam dizendo: "Não foi o que disseram para a gente", o que indica que a ação criminosa foi planejada.

Na madrugada de terça-feira, por volta das 3 horas, as duas foram libertadas em uma lagoa próxima à Pajuçara, em Maracanaú. No local, ocorreu o momento de maior tensão. "Tive a impressão de que eles iriam travar as portas do carro e jogá-lo dentro da lagoa com a gente dentro", revela. Depois de entrar em contato com a família, um boletim de ocorrência (BO) foi registrado na Delegacia Metropolitana de Maracanaú.

Segundo a reportagem de O POVO apurou, os dois homens que abordaram as jovens já seriam conhecidos da Polícia daquela região. Eles estariam envolvidos em um outro caso de seqüestro-relâmpago. Um deles é louro, magro e possui os dentes bem separados. O outro é forte, moreno e tem estatura média. Por serem suspeitos, O POVO não publica seus nomes. Até o momento, ninguém foi detido.

O caso deveria ser encaminhado à delegacia da área, o 29º Distrito Policial (Conjunto Acaracuzinho). Até o fim da tarde de ontem, no entanto, o BO feito na delegacia de Maracanaú não havia chegado às mãos do delegado Tarciso Macedo, titular do 29º DP. Sem o documento em mãos, a investigação não pode ser iniciada. O delegado afirmou desconhecer a identidade dos dois suspeitos e disse que esta foi a primeira ocorrência desse tipo de seqüestro naquela área.

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