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ADOLESCENTES

Prevenção de DST e Aids na escola

Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas prepara alunos, professores e profissionais de saúde para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e o exercício saudável da sexualidade na adolescência

Mariana Toniatti
da Redação

29 Ago 2006 - 01h58min

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A PREFEITURA lançou ontem, no Imparh, o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) (Foto: Mauri Melo)
De 1983 até este ano, 5.869 casos de Aids foram notificados em Fortaleza. Desse total, 104 eram adolescentes entre 15 e 19 anos. A incidência na população jovem é significativa e aumenta se a conta leva em consideração que entre os 2.983 casos de pessoas contaminadas com idade entre 20 e 34 anos, uma parcela contraiu o vírus ainda na adolescência. "A manifestação clínica pode demorar cinco anos ou mais para acontecer depois da contaminação. Com certeza parte dos casos notificados ao 20 e poucos anos tiveram início na adolescência", confirma a coordenadora municipal de DST/Aids, Isabel Chagas.

Para diminuir o número de casos de Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis entre os adolescentes, a Prefeitura de Fortaleza deu início ao projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), lançado ontem na sede do Instituto Municipal de Pesquisas, Administração e Recursos Humanos (Imparh). Professores, profissionais de saúde e alunos da rede pública participam do programa, criado em parceria pelo Ministério da Saúde e da Educação e implementado aqui em conjunto pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Secretaria de Educação e Assistência Social (Sedas).

O objetivo é diminuir a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os adolescentes, incentivar o exercício sadio da sexualidade e prevenir a gravidez precoce, uma das principais causas da evasão escolar. Nesta fase inicial, 90 alunos, com idade entre 14 e 17 anos, e 18 professores vindos de nove escolas, além de nove profissionais de saúde, farão o curso de capacitação com carga horária de 20 horas. As escolas foram escolhidas a partir de dados epidemiológicos e sociais. "A prioridade foi para escolas em regiões de maior incidência de DSTs e gravidez precoce que já tinham um processo de mobilização com os alunos porque a perspectiva de continuidade é uma das diretrizes nacionais", explica o técnico de prevenção da coordenação municipal de DST/AIDS, Tiago Montenegro.

A presença dos profissionais de saúde, selecionados em unidades referenciais nas comunidades onde as escolas estão inseridas, é determinante para o sucesso do projeto. "As escolas precisam ter para onde encaminhar os adolescentes que precisam de atendimento", explica Tiago. Para os professores e agentes de saúde, as aulas tiveram início ontem. As três turmas de adolescentes começam em seguida. Até outubro todos devem estar capacitados para a segunda etapa, a multiplicação do que aprenderam. A semana de aulas aborda temas como saúde reprodutiva, sexualidade, DSTs, gênero, métodos anticoncepcionais e questões ligadas à cidadania, direitos humanos e mobilização social. "Nosso objetivo é que depois das aulas os alunos decidam de que maneira querem fazer a multiplicação. Se é com oficinas, com apresentações teatrais, queremos estimular o protagonismo deles nas ações", diz Tiago.


SAIBA MAIS

Casos de AIDS notificados em Fortaleza entre 1983 e 2006:
De 10 a 14 anos 4 casos
De 15 a 19 anos 104 casos
De 20 a 34 anos 2.983 casos*
35 a 49 anos 2.253 casos
50 a 64 anos 467 casos
65 a 79 anos 51 casos
acima de 80 anos 7 casos
Total: 5.869 casos

*a manifestação clínica do vírus HIV pode se dar até cinco anos após se contrair o vírus, o que significa que nessa faixa etária a contaminação pode ter ocorrido ainda na adolescência.

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde (SMS)

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