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MARKETING ESPORTIVO

Marca desprezada

Com cerca de 1 milhão de torcedores ou simpatizantes como potenciais consumidores, Ceará e Fortaleza têm uma marca que poderia gerar muito dinheiro para os cofres dos clubes. Na terceira matéria da série sobre o modelo de gestão no futebol cearense, O POVO mostra que os dirigentes não aproveitam o marketing

Rafael Luis
da Redação

06 Mar 2007 - 01h54min

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BANDEIRAS DO FORTALEZA  e Ceará são encontradas à venda em cruzamentos de ruas e avenidas da capital cearense, sem nenhum lucro aos clubes (Foto: Natinho Rodrigues)
Quanto vale a marca de Ceará, Fortaleza ou Ferroviário, os clubes mais tradicionais do Estado? No caso de alvinegros e tricolores, muito dinheiro. Os dois maiores times possuem, cada um, cerca de 1 milhão de torcedores ou simpatizantes, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope em setembro de 2006. Os torcedores poderiam virar consumidores de produtos licenciados, gerando mais uma opção de fonte de renda. Apesar disso, os clubes faturam em licenciamento valor irrisório pela exploração da marca - ou mesmo nem ganham, caso do Tubarão da Barra.

Em geral, as iniciativas em torno do uso da marca dos clubes cearenses partem de empresários de fora das diretorias, tendo como contrapartida algum pagamento em troca. "Os dirigentes não se preocupam em investir em marketing porque isso não dá notícia, não dá retorno de mídia", critica o economista Paulo Calheiros, ex-diretor da Futebol Brasil Associados (FBA), empresa promotora da Série B do Campeonato Brasileiro e dono de empresa de consultoria em futebol e marketing. "Com esse público de torcedores, Ceará e Fortaleza poderiam receber entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês com licenciamento", estima.

O Fortaleza encarou a possibilidade dos novos ganhos mais profissionalmente, embora de forma embrionária. Dois estabelecimentos foram incentivados a vincular seu público alvo à torcida e, para isso, repassam à diretoria parte dos ganhos: Fortaleza Esporte Bar (3% do faturamento) e loja Fortaleza Store (10%). Em parceria com empresas, o Tricolor licencia produtos como mochilas, carteiras e camisas. A política, porém, não tem planejamento sólido: tanto que a diretoria não sabe precisar o número de produtos já comercializados.

No Ceará, o único projeto de licenciamento da marca que garante retorno financeiro é o cartão de crédito Vozão Card, lançado no ano passado pela empresa Fortbrasil, que também produz o Leão Card, destinado à torcida do Fortaleza. Com eles, os torcedores efetuam compras e parte do faturamento é revertido para a equipe. O percentual, considerado confidencial pela empresa, não é revelado.

Para os dirigentes de Fortaleza e Ceará, o retorno da exploração da marca é pequeno, principalmente, por causa do baixo poder aquisitivo da maior parte dos torcedores. "Recebemos R$ 10 mil por mês, menos de 5% das receitas. É muito pouco", avalia o presidente tricolor, Marcello Desidério. No caso alvinegro, como a atual diretoria não presta contas da gestão, informações sobre licenciamento não são precisas. "Ganhamos cerca de R$ 100 mil com patrocínios. Não sei quanto disso vem do uso da marca", arrisca o presidente Eugênio Rabelo.

O principal ponto em comum entre os clubes é a incapacidade de agir contra a falsificação de camisas, produto mais consumido por torcedores no País, e a utilização de sua marca por parte das torcidas organizadas. "Combater a pirataria é algo complicado no Brasil. Basta ver o exemplo dos CDs e DVDs", compara Marcello Desidério.

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