Luciano Virgulino
21/06/2008 15:13
Falar de Maria é, sem dúvida, falar em um dos maiores ícones da história da humanidade. Mulher de fé e de determinação, exemplo a ser seguido por cada um de nós. Em sua época, entre tantas mulheres, Deus a escolheu como instrumento para que sua promessa de salvação se cumprisse. Jovem, virgem, de origem humilde, tinha um coração puro, repleto de amor e ternura; o suficiente para oferecer àquele de quem, por obra do Espírito Santo, ela foi mãe.
A devoção mariana significa manifestação de amor e veneração para com a Virgem Mãe de Deus, através de atos que expressam a sensibilidade, cunho singular do verdadeiro cristianismo. Outro aspecto deste gesto de piedade para com a pessoa de Maria é despertar os cristãos católicos a reconhecê-la em sua essência mais significativa possível, o que ela representa para a Igreja e para a humanidade. Venerá-la significa, antes de tudo, uma atitude de gratidão, um gesto de carinho e também de fé para com aquela que soube ouvir a voz de Deus. Nesta escuta atenta, acolheu o projeto que Deus tinha para ela e para o mundo. Aceitou o desafio de ser mãe, trazendo para nós em seu ventre virginal o salvador do mundo.
Surpresa com o anúncio do Anjo Gabriel, Maria em sua Santa humildade pergunta: “Como vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” ( Lc 1, 34). Com esta indagação, ela desejava saber o que de fato iria acontecer, qual era o plano de Deus, o que Ele queria daquela pobre jovem, que nem sequer pensava em ser mãe tão cedo! Entretanto, Deus tem seus desígnios os quais escapam da nossa inteligibilidade, ou seja, nem todos compreendem seus mistérios. Maria não entendia o que de fato estava acontecendo, mas tamanha foi a sua fé que se entregou nas mãos de Deus, fazendo-se “escrava”. O anjo, percebendo a sua preocupação, a encoraja: “Não temas Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus” (cf. Lc 1, 30-31s).
O seu maior gesto significativo de fé foi aceitar com amor acolher Jesus e o entregar de volta para o Pai em silêncio (cf. Lc 2, 19; MT 27, 55; Jo, 19, 25). Com o seu jeito simples, porém carregado de uma sabedoria invejável, concretiza a proposta que Deus fez a ela, por meio do anjo: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”! (Lc, 1, 38). Com esta resposta, o mundo é glorificado com a vinda do Salvador. Deus quis Maria como a mãe de Jesus para que seu infinito amor incondicional pudesse chegar até nós.
O papa João Paulo II, em sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, afirma que Maria, de certo modo, praticou a sua “fé eucarística” ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando “ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus”. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n’Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor. Maria foi, portanto, Sacrário vivo, “guardou” Jesus.
Eis o motivo de nossa veneração para com Maria. Todos os gestos de gratidão e de afeto são pequenos diante da grandiosidade que Maria representa para cada cristão. Dar a ela um lugar de honra é mais do que merecido. É ser cristão verdadeiramente.
O mesmo dom de ser Mãe, que Deus deu a Maria, é dado a todas as mães. Se todas reconhecessem isso, o mundo seria outro, o aborto e outras formas de infanticídio desapareceriam, dando lugar ao amor e a proteção à vida.
No Brasil, onde o aborto é proibido pela legislação vigente, segundo estimativas, se comete anualmente mais de 1.100.000 abortos clandestinos. Isso sem contar com outros países como Inglaterra, Países de Gales, Espanha e China, onde o aborto é legalizado. Na China, por exemplo, somente em 2001 foram provocados 6.284.844 abortos. Esta é uma representação concreta da banalização da vida. Infelizmente, isso representa o desconhecimento deste dom de ser mãe, que Deus concede a cada mulher, como dom gratuito e divino do seu amor a humanidade.
Todas as mulheres são convidadas a pensar e a zelar sobre este dom bonito e não se deixar levar pela cultura pós-moderna que relativiza a vida, banalizando-a em detrimento da liberdade aparente, do poder e da lucratividade de seus mercados.
A Virgem Maria é o nosso exemplo maior, que mais do que ninguém soube reconhecer e preservar este dom, o gesto maior de defender o princípio da vida. Que este mesmo amor materno de Maria, habite no coração de cada mãe e de cada mulher no Brasil e no mundo. Maria mãe de Jesus e da Igreja interceda por todos nós, sobretudo por todas as mães.
Luciano Virgulino é formado em Filosofia e Teologia pela Faculdade Católica da Prainha, em Fortaleza-CE. Atualmente é seminarista da Diocese de Alagoinhas-BA