Ricardo Moura
da Redação
Entorno da avenida reúne complexo comercial e de serviços. A rede de saneamento ambiental e viária, no entanto, ainda é precária e pode ocasionar riscos
15/11/2007 01:24

Fortaleza cresce para o Leste, seguindo a rota da avenida Washington Soares. A área passa, nos últimos anos, por um grande período de expansão comercial e do setor de serviços. São quatro centros comerciais, duas megalojas, um pólo de vendas de veículos, três faculdades privadas e um fórum localizados em uma extensão de cerca de 6,5 quilômetros. Esse crescimento, no entanto, não está sendo acompanhado por um aumento proporcional nos serviços de infra-estrutura da região, segundo especialistas.
Em reportagem publicada em setembro do ano passado, O POVO revelou que, de 2000 a 2005, a área recebeu mais de 120 mil novos moradores. Isso fez com que a taxa de ocupação passasse a ser de 50 a 100 habitantes por hectare, tida como média na Capital, mas elevada para aquela região. A maior procura por espaço fez os preços dos imóveis dispararem. Um apartamento de três quartos, com 149 m², na Praia do Futuro, custa R$ 180 mil. No bairro Édson Queiroz, a dois quarteirões da avenida Washington Soares, um apartamento com área semelhante pode chegar a custar R$ 315 mil.
De acordo com o arquiteto Marcelo Gondim, da Secretaria Municipal de Planejamento e Orçamento (Sepla), o principal dilema da Washington Soares é que o local não possui uma infra-estrutura adequada para lidar com essa expansão. “O risco está aí, pois este crescimento pode ocasionar um risco de problemas ambientais, pela falta de saneamento ambiental e de uma infra-estrutura viária”, alerta.
O Plano Diretor que está sendo reformulado classifica o entorno da Washington Soares como Zona de Ocupação Moderada 1 (ZOM 1). Isso significa dizer, de acordo com o arquiteto, que o crescimento na área não será desestimulado pela Prefeitura, mas haveria outras áreas preferenciais de ocupação, como os bairros localizados a Oeste do bairro de Fátima (Benfica, Carlito Pamplona, Parquelândia, Jacarecanga e o Centro Histórico, por exemplo). Eles estão localizados na Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1).
“Para os bairros da ZOP 1, haverá uma série de instrumentos de política urbana. Isso já não irá ocorrer com os bairros localizados na ZOM 1. Esperamos que construir nessas regiões (da ZOP 1) torne-se mais vantajoso para o mercado”, explica Gondim.
Novo Centro
A ampliação do Centro de Convenções, prevista para 2009, deverá acirrar ainda mais a concentração de serviços na avenida. Segundo o superintendente do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (Dert), Francisco Quintino Vieira Neto, novas vias paralelas à avenida terão de ser construídas para atender o aumento do fluxo.
Ele afirma ainda que a ampliação do Centro de Convenções deverá passar por um estudo prévio a ser feito pelo Dert. “O Plano Diretor de Fortaleza será respeitado. Tudo que será feito, será feito juntamente com a Prefeitura.”
E-MAIS
Bom local para negócios
Na contramão dos críticos da ampliação do Centro de Convenções, César Gioseffi, gerente de uma revenda de carros localizada quase em frente ao equipamento, afirma que a obra será boa para os negócios. “As vendas só tendem a crescer com a construção do Pavilhão de Feiras, pois o fluxo de pessoas vai aumentar. Quem quiser vender tem de estar por aqui”, garante.
De acordo com o gerente, a loja, que foi inaugurada em maio deste ano, vende cerca de 100 veículos por mês. “O movimento é muito bom. Superou nossas expectativas. As vendas do grupo aumentaram em 50%”. Para Gioseffi, a localização da revenda é fundamental. “O local é muito importante, seja pela visibilidade ou pelo pólo automotivo que se formou na Washington Soares”, explica.
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