Daniel Sampaio
da Redação
A localização do Pavilhão de Feiras e Eventos é o motivo da primeira desavença entre PSDB e governo Cid Gomes. A proposta, agora abandonada, de construir o Pavilhão no Poço da Draga surgiu quando Tasso Jereissati (PSDB) era governador
15/11/2007 01:24

Maior partido da Assembléia Legislativa, com 15 deputados, o PSDB fechou questão: é contra a determinação do Governo do Estado de construir o Centro de Feiras e Eventos (CFE) próximo à avenida Washington Soares. A decisão foi anunciada ontem pela manhã, na Assembléia Legislativa pelo líder da bancada tucana, João Jaime. É a primeira vez que os parlamentares do PSDB, que compõem a base aliada, batem de frente publicamente com governo Cid Gomes (PSB). O episódio pode ser a ponta de um iceberg de insatisfações.
"É inegável que a localização do pavilhão de eventos na Washington Soares irá causar um grande transtorno", discursou João Jaime. Ele levou documentos com os estudos realizados entre 2000 e 2003 que analisou locais para a construção do equipamento. "Foi gasto pelo Governo do Estado nesse estudo R$ 7,6 milhões", contou. O documento, aponta como áreas ideais o Poço da Draga (Praia de Iracema), a Praia Mansa (Mucuripe) ou a Estação João Felipe (Centro).
O líder da bancada tucana alerta para o desastre que pode ser um erro na escolha do local. João Jaime acredita que o local seja um dos locais com necessidade de desenvolvimento. "Ali na Washington Soares por si só já tem um desenvolvimento necessário", observou.
O tucano espera ouvir os argumentos da equipe do Governo no próximo dia 20, às 11 horas, durante audiência pública para tratar do caso. No entanto, ele teme que seja apenas mais um formalidade. "Não adianta só discutir, precisa ouvir e acatar. Não podemos banalizar audiência pública", afirmou.
Decisão antiga
Heitor Férrer (PDT) está descrente com a audiência pública porque o decreto que torna o terreno de utilidade pública já foi publicado no Diário Oficial no dia 1º de novembro deste ano. A decisão, portanto, já havia sido tomada antes mesmo do debate vir a tona. "Se o Governo se diz participativo, o que alteraria ouvir os deputados para dar sugestões?", questionou.
Augustinho Moreira (PV), outro da base do Governo, foi outro crítico. "Aquela área está congestionada. Na Praia do Futuro existem áreas muito maiores, onde é possível construir", sugeriu.
O assunto acabou descambando para a prefeitura de Fortaleza. Fernando Hugo (PSDB) disse que a gestão Luizianne Lins (PT) não poderia ser contra a construção do CFE próximo ao mangue do Rio Cocó porque poderia rachar com o governo Cid. No entanto, complementa o tucano, deveria ser contra a decisão por conta da tentativa de impedir a construção da Torre Iguatemi Empresarial, também próximo ao mangue. Adahil Barreto (PR) também cobrou: "É preciso que a Prefeitura de Fortaleza se posicione. Será que a torre não pode e esse centro pode?"
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Fortaleza informou que a administração não havia recebido ainda a proposta oficial do Governo do Estado. Depois de recebida é que a Prefeitura irá se pronunciar.
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