O Pavilhão de Feiras, a ser construído na avenida Washington Soares, é mais um indutor para a região Leste. Para especialistas da construção civil e imobiliária, o investimento deveria priorizar o desenvolvimento do Oeste de Fortaleza
15/11/2007 01:24

São mais de dez anos desde que a cidade começou a migrar para o Leste. A Universidade de Fortaleza (Unifor) já estava ali. Veio a construção do shopping center Iguatemi e a ampliação da avenida Washington Soares, somada a uma grande disponibilidade de terreno. Ou seja, motivos para que a cidade fosse, aos poucos, se transferindo para aquele lado não paravam de existir. Os investimentos privados no desenvolvimento da área foram chegando, dispensando políticas públicas. Residências foram se instalando e, assim, a região começou a "andar com as próprias pernas".
É observando esse crescimento independente que o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Carlos Fujita, critica a escolha da avenida para receber o Pavilhão de Feiras. "Essa obra poderia servir para a revitalização de áreas degradadas, como ocorre hoje em Barcelona. Na Washington Soares, a gente vai perder o equipamento como utilização de política de desenvolvimento urbano", observa.
Para Fujita, em uma cidade como Fortaleza, a tendência era que o Pavilhão fosse localizado na praia, aproveitando o setor hoteleiro e revitalizando o centro da cidade. "Desconheço motivações que levem o equipamento para uma área que tem vida própria", afirma. O presidente explica que, com a chegada do Pavilhão de Feiras, serão feitos novos investimentos públicos em uma área na qual a iniciativa privada está naturalmente aplicando. Com o metro quadrado avaliado entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, a área deve demandar mais recursos para a desapropriação do que em uma localização como o Poço da Draga, na Praia de Iracema - mesmo que fosse feito o tão debatido aterramento do mar. Oeste esquecido
O vice-presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro secção Ceará (Adit), Eugênio Montenegro, observa que, a despeito do Leste, o Oeste da Capital foi esquecido e ainda é uma região muito pobre. A questão da infra-estrutura também ficou de lado. Enquanto a avenida Washington Soares vai demandar novas soluções de tráfego, o Oeste de Fortaleza contaria com equipamentos como o Metrofor, facilitando, inclusive, o acesso daquela mão-de-obra que trabalharia nos eventos.
Para empresários locais, entretanto, a construção pode ser uma boa alternativa. É como pensa o sócio-proprietário do restaurante Pasto & Pizza, Oto Siebra. Apesar de não ter recebido nenhuma comunicação oficial sobre o que será feito naquela área, Siebra vislumbra a possibilidade de ter seu estabelecimento integrado ao novo equipamento. Hoje, a filial da avenida representa 50% do faturamento das quatro lojas e gera 35 empregos diretos.
Siebra destaca que caso não se estabeleça uma parceria, a solução será buscar apoio na lei para não sair prejudicado. Com um investimento de R$ 1,5 milhão no restaurante, o proprietário teme as dificuldades de acesso na avenida como entrave para o movimento em seu espaço. Otimista, ele afirma: "Acredito que ainda vai haver muita discussão. Agora, vamos ver se o Governo continua com a idéia". (Camille Soares)
E-MAIS
Segundo dados do Censo do Comércio 2005, realizado pela Fecomércio, a avenida Washington Soares figura como quinto principal corredor comercial de Fortaleza. São 830 estabelecimentos, atrás apenas da rua 24 de Maio, avenidas Santos Dumont e Dom Luiz, e rua Senador Pompeu, respectivamente.
Das empresas concentradas na avenida, 469 estão na formalidade, enquanto 87 são informais. As lojas de calçados contabilizam 19 estabelecimentos. Doze são de materiais de construção e 32 restaurantes.
Documento apresentado na Assembléia Legislativa, de autoria do arquiteto e urbanista Fausto Nilo, cita como benefícios da construção do então Centro Multifuncional de Feiras e Eventos a demarcação de um centro convergente das atividades de agregação, lazer, entretenimento e cultura. Além disso, proporcionaria um redesenho da orla urbana, com a configuração de uma imagem de cidade litorânea para os tempos atuais, com um paisagismo sustentável e oferta de lazer à população metropolitana.
Com a pretensão de se construir o equipamento no Poço da Draga, o arquiteto expôs que haveria aproveitamento e exploração das atividades do Centro Dragão do Mar, além de promover conexão com a avenida Monsenhor Tabosa, praças centrais e do Mercado Central. Previa-se também a criação de um parque urbano, integrando áreas abertas que se estendem da Praça Cristo Rei à frente marítima da Praia de Iracema.
SAIBA MAIS
Pavilhão de Feiras: será uma grande área aberta destinada à realização de exposições e eventos afins, equipada com itens básicos de infra-estrutura, como sanitários e instalações elétricas e hidráulicas.
Centro de Convenções: como o equipamento atual, possui estrutura de auditórios e salas menores, além da estrutura de apoio básica. Mais adequado para eventos que envolvam palestras, debates e mesas-redondas, como congressos e seminários.
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