Yanna Guimarães
da Redação
A saída de órgãos públicos, mostrou como o poder público também contribuiu para dissipar o Centro Histórico. Esta semana, a possibilidade de um retorno com o Centro de Feiras e Eventos de Fortaleza, cogitado para o bairro, escapou com o anúncio de que a obra será construída na Washington Soares
15/11/2007 01:24

Palácio do Governo, Prefeitura Municipal, Fórum Estadual, Câmara dos Vereadores, Assembléia Legislativa. O Centro Histórico de Fortaleza abrigava representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Com o tempo, todos foram migrando para outros bairros. Hoje, a maioria deles está nas proximidades da avenida Washington Soares. Até o Centro de Feiras e Eventos de Fortaleza, obra do Governo do Estado, inicialmente cogitado para o Centro Histórico, não será mais. O governador Cid Gomes decidiu construí-lo em um terreno de 16 hectares, entre o atual Centro de Convenções, na avenida Washington Soares, e o Shopping Salinas.
"Houve uma migração para a Zona Leste da cidade de vários equipamentos e serviços ligados à gestão pública. A obra do Centro de Feiras teria sido muito bem-vinda para o bairro", afirma José Borzacchiello, geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Para ele, o projeto daria uma injeção de ânimo no setor comercial e no de construção civil, ampliando o mercado e interferindo no processo de valorização do espaço da área central e adjacências. "Ficou evidente a falta de discussão e de justificativas para a implantação do Centro de Eventos na Washington Soares".
Segundo ele, é preciso estabelecer políticas públicas capazes de devolver ou de dotar o Centro de uma significação compatível com a importância que o bairro teve no passado. Moradora do Centro Histórico, Valéria Costa, 25, não conheceu esse tempo. Mas é acostumada a ouvir história dos parentes mais velhos. "Se trouxessem de volta tudo que funcionava no Centro naquela época, isso aqui seria muito mais movimentado. É preciso reavivar o Centro", diz. Esse afastamento, conforme o professor, é associado à motorização da sociedade. A dificuldade de acesso pela falta de estacionamento causou a transferência de consultórios e escritórios.
"A cidade passou por um processo de fragmentação, que deu origem a vários subcentros. Continua sendo extremamente movimentado, mas não mais por uma elite", explica. Uma prova disso foi a saída das agências bancárias mais desenvolvidas para as avenidas Desembargador Moreira e Santos Dumont. O mesmo ocorreu com os hotéis. O professor relata que, os estabelecimentos antes procurados por comerciantes e caixeiros-viajantes, deram lugar aos turistas. Fortaleza ainda não estava incluída no roteiro turístico nacional. O primeiro hotel construído fora do Centro Histórico foi o Iracema Plaza, hoje desativado. A idéia era valorizar o caráter marítimo da cidade. Só a partir de 1970, vários hotéis foram construídos na avenida Beira Mar, o que fortaleceu esse traço turístico.
Borzacchiello destaca que o Centro Histórico é um dos bairros mais equipados de Fortaleza. "Mas é necessário frear esse processo de destruição de alguns casarões para dar lugar a estacionamentos. O Centro ainda está num estágio que possibilita uma política reabilitação". O professor cita estabelecimentos de grande porte como Theatro José de Alencar, o Cine São Luis, a Catedral, entre outros templos religiosos, que mostram que Fortaleza tem um Centro Histórico de peso. "Tem um setor comercial fortíssimo, uma enorme área de influência que atinge praticamente todo o Estado. Enquanto a cidade descobriu o mar da Zona Leste para o setor hoteleiro, o Centro ainda não descobriu o mar".
E-MAIS
A Câmara dos vereadores de Fortaleza, no final do século XVIII, com as rendas do chamado "Imposto da Cachaça" desapropriou um palacete residencial, para ali edificar a sua sede oficial e própria.
O então governador do Estado, Luiz da Mota Féo e Torres (1789/1799), enciumado, pois tal pompa seria apropriada para um palácio para Governador e não para vereadores, apoderou-se militarmente do prédio, transformando-o no Palácio do Governo e residência governamental.
Veio a ser o Palácio da Luz, até mudar-se para o Palácio da Abolição, na Rua Barão de Studart. Já no primeiro Governo de Tasso Jereissati, a sede governamental passou a ser o Cambeba. Hoje, no Palácio da Luz abriga a Academia Cearense de Letras.
Em sua primeira legislatura, a Assembléia Legislativa era localizava nas proximidades da Praça da Sé. O primeiro presidente do Poder foi o Capitão-Mor Joaquim José Barbosa.
No ano de 1871, o Legislativo transferiu-se para o chamado Paço da Assembléia, ou Legislativo da Província, na praça Capistrano de Abreu (rua São Paulo), lá permanecendo por mais de um século. Hoje, o prédio abriga o Museu do Ceará.
O regime militar de 1964 fez o Legislativo Estadual novamente adaptar a Constituição do Estado à nova realidade política brasileira. Foi neste período em que a Assembléia ganhou sua atual sede, o Palácio Deputado Adauto Bezerra, inaugurado em 1977, na avenida Desembargador Moreira.
A primeira sede do Fórum Clóvis Beviláqua foi inaugurada em 31 de dezembro de 1960, na administração do desembargador Péricles Ribeiro, presidente do Tribunal de Justiça, e no Governo de José Parsifal Barroso.
O prédio escolhido para abrigar o Palácio da Justiça havia sido planejado, desde 1956, no Governo de Paulo Sarasate. Era localizado na Praça da Sé, centro de Fortaleza, tinha área útil de 4.248,60 metros quadrados, distribuída em cinco pavimentos. A obra foi erguida no local onde funcionavam o Instituto do Ceará e o Museu Histórico.
Depois de 37 anos, o fórum Clóvis Beviláqua mudou de lugar em 12 de dezembro de 1997, no bairro Edson Queiroz. O prédio novo foi construído para abrigar quase todas as varas de justiça alcançando uma área total de 75 mil metros quadrados.
Fonte: Anuário do Ceará 1996/1997, Assembléia Legislativa, Câmara dos Vereadores e Ceará Cultura (www.cearacultura.com.br).
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Essa democracia sem filosofia, que desrepeita a opinião da maioria. É na verdade um socialismo de legenda, que vive de aparência e nunca de ação concreta, que satisfaz os anseios maiores, de nossa população. Esperamos que o Estado ofereça três opções, que que possam, ser apreciadas pela maioria da população. Plebiscito ou referendo, eis a questão???...Com a palavra o Governo e a Populaçao???...
Joselito Barbosa da Silva Júnior