Artumira Dutra
da Redação
Fortaleza registra em agosto a menor inflação do ano medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 0,25%. No Brasil foi a maior queda dos últimos 12 meses
06/09/2008 00:33
O grupo alimentação e bebidas registrou a primeira deflação do ano (-0,75) em Fortaleza no mês de agosto e também influenciou o índice geral de inflação 0,25%, o menor do ano. A desaceleração nos preços em relação a julho foi provocada pela queda nos preços de importantes produtos na mesa do brasileiro como feijão, arroz, farinha de mandioca, pão carioquinha e tomate. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), também apurou a maior queda na inflação brasileira (0,28%) nos últimos 12 meses.
A economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia do Ceará (Ipece), Eloísa Bezerra, explica que a inflação caiu por causa da entrada da safra que aumentou a oferta desses produtos no mercado. "Vale lembrar que o IBGE estima uma safra recorde de grãos para o Brasil e para o Ceará", comenta. Destaca ainda que a safra de trigo, em 2008, será maior que a de 2007, em 32,5%, provocando uma queda nos preços dessa commodity, que tem como conseqüência a redução nos preços dos produtos derivados, pão carioquinha, por exemplo.
Apesar da desaceleração, a coordenadora do IPCA, Eulina dos Santos, acha que ainda é cedo para avaliar que tal tendência será mantida daqui para frente. A economista disse que apesar de o preço dos alimentos, principal grupo de influência na inflação, estar em baixa há dois meses, ainda não há um fator determinante para a manutenção desse cenário. "Houve uma queda generalizada, em função das commodities agrícolas no mercado internacional. Houve boas notícias que influenciaram, como a informação de que não haverá problemas climáticos nos Estados Unidos. Não dá para garantir que essa queda será contínua", afirmou.
Eulina ressalta que o consumidor ainda não sente os efeitos da redução dos preços dos alimentos no bolso porque eles não voltaram aos patamares em que se encontravam antes. A forte alta verificada no primeiro semestre ainda não foi recuperada, ou seja, os alimentos estão num patamar elevado. "Os alimentos estão menos caros. O consumidor continua pagando mais caro por produtos importantes, como a carne", observou a economista.
Em agosto, os produtos alimentícios no Brasil tiveram deflação de 0,18%. Foi a primeira variação negativa desde junho de 2006, quando a queda chegara a 0,61%. No ano, os alimentos acumulam alta de 9,58%, acima dos 6,73% constatados de janeiro a agosto de 2007. Nos últimos 12 meses, a alta chega a 13,74%, abaixo dos 15,54% verificados nos 12 meses terminados em julho.
Nas 11 regiões pesquisadas, a maior queda foi verificada em Curitiba (-0,22%). A maior alta foi observada em Belém (0,79%), que acumula também a maior alta no ano (6,01%). No Rio de Janeiro, a inflação em agosto chegou a 0,45% (4,36% no ano); em São Paulo, houve elevação de 0,37%, com acúmulo de 4,47% de janeiro a agosto. (com agências)