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Economia

EMPREENDER 2008

Pregões podem render economia de 40% para as prefeituras

Diego Silveira
Especial para O POVO

As micro e pequenas empresas do Ceará podem se tornar mais competitivas vendendo seus produtos a entidades governamentais, via pregão eletrônico


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05/09/2008 23:12

Adquirir produtos e contratar serviços por meio de pregões eletrônicos pode representar uma economia de até 40% para prefeituras e governos estaduais. Uma outra vantagem que esse modelo de licitação oferece, em comparação com os tradicionais pregões presenciais, diz respeito à maior agilidade com que as negociações são feitas. Os benefícios para as entidades governamentais e para as empresas fornecedoras, sobretudo as micro e pequenas, foram discutidos, ontem, no auditório do Centro de Negócios do Sebrae/CE, durante o Seminário Empreender 2008, realizado pelo Grupo de Comunicação O POVO.

Na opinião de José Carlos Soares, diretor de Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, os pregões eletrônicos dão mais transparência às compras governamentais e contribuem para tornar as empresas mais competitivas no mercado. Segundo ele, a participação das MPEs nessa modalidade de licitação ainda é pequena, devido, sobretudo, à falta de informação. "Ainda são poucas as que têm conhecimento dessa prática. A maioria das micro e pequenas empresas continuam vendendo seus produtos em leilões presenciais e é justamente essa cultura que estamos tentando mudar", afirma.

No Ceará, aproximadamente 6 mil empresas fazem negociações através do sistema de licitação eletrônico do Banco do Brasil. "O objetivo do sistema é facilitar a participação em transações de caráter público, promovidas por entidades governamentais. Só o governo do Estado do Ceará comprou, via pregão eletrônico, no ano passado, o equivalente a R$ 277 milhões e a expectativa é que esse volume aumente nos próximos anos", destaca.

A falta de informação, no entanto, não é o único fator que tem afastado as MPEs dos pregões eletrônicos. A cobrança de tarifas de manutenção e operacionalização torna muitas vezes inviável o acesso de micro e pequenas empresas. O empresário Marcone Teles vê na cobrança das taxas um abuso. "Nesse ponto acredito que pregões presenciais sejam bem mais vantajosos. É só chegar lá, com os documentos na mão, e pronto. Já estou participando. Sem contar que os pregões eletrônicos exigem da empresa uma boa estrutura tecnológica, o que leva a um aumento nos gastos", observa.

Para o diretor do Banco do Brasil, a cobrança de tarifas é justa. "É um serviço que as entidades oferecem, daí a necessidade do ressarcimento". Atualmente, os valores cobrados pelo banco variam de R$ 30 a R$ 272,45. "Como a prática do pregão eletrônico é relativamente nova, a tendência é que esses preços caiam", destaca. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, ressalta a importância de as instituições financeiras disponibilizarem sistemas de pregão eletrônico acessíveis, principalmente às MPEs. "As entidades precisam se conscientizar de que, acima de tudo, estão prestando um serviço à sociedade. A idéia é promover o desenvolvimento e atrair cada vez mais as micro e pequenas empresas e não elevar as suas despesas", avalia.


DEPOIMENTOS

Luciana Dummar - Presidente do Grupo de Comunicação O POVO
"É preciso atentar para o valor estratégico das micro e pequenas empresas. Elas são responsáveis pela maioria dos postos de trabalho e conferem uma maior dinâmica à economia do País".

Paulo Mindêllo - Vereador e presidente da Frente Parlamentar de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
"O Empreender é por demais importante na medida em que favorece as MPEs. Só no Ceará são aproximadamente 170 mil pequenas empresas, o que mostra a força e a importância do segmento. As MPEs merecem ser incentivadas e estimuladas, o que está sendo possível com a realização deste evento".

Silvana Parente - Secretária do Planejamento e Gestão, Silvana Parente,
"Esse encontro vem justamente unir o útil ao agradável. É uma forma de o governo reconhecer o potencial das micro e pequenas empresas e de estas, por sua vez, cobrarem do governo mudanças em sua estrutura de compra".

Raimundo Padilha - Consultor da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
"O fato de 98% das empresas brasileiras serem de pequeno porte basta para dizer da importância do evento. O Empreender tem uma grande significação e constitui uma boa oportunidade para governo e micro empresários se entenderem melhor".

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